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    Grão Mogol by Marioh


    The Grão Mogol Interview 1: Danniel Rangel

    Não vejo muito meu amigo Danniel Rangel por uma simples questão geográfica. Moro em São Paulo e ele vive em Paris – com extensões em Nova York, LA e Rio. Mas nos falamos quase diariamente via telefone, e-mail, MSN, Facebook – sem contar suas visitas ao Brasil. Desde que nos conhecemos, no verão de 1999, nunca mais paramos de falar. Assunto é o que não falta. Daí, outro dia, ele brigando comigo porque não fui na exposição que ele fez este ano no Rio (Vera Valdez, o Sol da Maison Chanel), nem escrevi sobre a personagem no Grão Mogol, decidi que era hora de fazer uma entrevista com ele e publicar aqui. Isso faz alguma semanas e ele pegou no meu pé até pra eu subir o post. Porém, como tava em mais uma maratona de fechamento, demorô.

     

     

    Então, com vocês, Danniel Rangel e seu pensamento vivo sobre musas, amigos célebres, literatura trash e um pouco de erótica. O papo vai em duas partes porque, mesmo editado e cortado (deu trabalho, viu?), a gente fala pelos cotovelos.

     

     

     

    PS: Esqueci de perguntar por que ele é Da"nn"iel. Mas deve ser por causa da numerologia...

     

     

     

    Conheci você nos idos dos 90's e me identifiquei na hora por causa de uma musa em comum: Dercy Gonçalves. Depois descobrimos que gostávamos igualmente de Carmen (Miranda) e Marilyn (Monroe). Como você chegou em cada uma delas e por que o fascínio por essas mulheres? 

     

     Yes, nos conhecemos no final dos anos 90, verão de 1999, em uma festa com Elzinha Barrozo, na Joatinga, muitas garrafas de champagne...  Rio 40 graus. Afinal, não existe pecado do lado debaixo do Equador, não é mesmo? E eu, que de bobo não tenho nada, já era super fã de seus textos fabulosos para a Interview. Logo depois nos encontramos com Dercy em um hotel. Ela era de uma inteligência emocional muito grande, algo que Miranda e Monroe também carregavam em seu DNA. O que sempre me fascinou nelas foi o mistério em torno de sua aura. Por mais que causassem sensação nas telas ou nos palcos – e até mesmo expondo suas personas em aparições públicas – ninguém nunca viria a conhecer os verdadeiros nuances de suas almas. Hoje é tudo tão banal. Não quero parecer nostálgico, mas veja quem foi Marilyn Monroe e o que ela conquistou ao longo de uma trajetória meteórica (morreu com 36 aninhos). Além de ser  uma estrela e o símbolo de uma nação, conquistou os cérebros e corpos mais desejados do planeta: Montand, Brando, Olivier, Miller, Kruschev, os Kennedy brothers e até Carl Sandburg. Era respeitada por Odets, Tenesse Williams, Capote, Sartre, Nabokov e Stragsberg. Sem contar os diretores com quem trabalhou.

    Da mesma forma, Dercy saiu de Madalena e conquistou o Cassino da Urca, a Cinédia e a televisão sendo ela mesma. Sem falara em nossa Carmen, que com seis meses de EUA já tinha seus pezinhos e mãozinhas na calçada da fama em Hollywood. Até hoje nenhum artista sul-americano conseguiu tal façanha. Todas tinham algo mais, substância e vontade de ser melhor do que já eram. Por isso são eternas. Até hoje se expandem, criando algo mítico em torno de seus nomes. Isso me fascina.

     

    Agora você vem de Vera Valdez  (AKA Barreto Leite), que antes de ser performer extraordinaire da trupe de Zé Celso Martinez Correa foi musa e manequim chez Chanel. Qual o apelo de uma personagem desse quilate para a geração Facebbok & Twitter?

     

    Vera é um dos maiores personagens brasileiros do século XX, tal como Oscar Niemeyer. Foi esmagada pela ditadura e sobreviveu. Por ter sempre trabalhado com gênios, como Schiaparelli, Dior, Cocteau, Saint Laurent, Chanel, Malle, Cardin, entre muitos outros, nunca deixou de saber e reconhecer o valor que ela mesma tem dentro de si. Além de ter sido analisada pelo próprio Jacques Lacan, de quem foi amiga. É uma mulher forte e frágil, uma pessoa fabulosa que o Brasil deveria contemplar e homenagear mais. Por isso me veio a idéia de fazer a exposição O Sol da Maison Chanel, para mostrar um pouco mais desse personagem para o público brasileiro. É preciso reverenciar nossos mitos e pessoas especiais, levar a todos a informação de que antes de Gisele existiu Vera Valdez, uma mulher que até hoje brilha nos palcos do Teatro Oficina por amor a arte, algo muito “utópico” em nossos dias. Viva Vera!


    Afinal, você mora no Rio, São Paulo, Paris, Nova York, LA ou Cascadura? E qual o melhor lugar pra se viver num mundo que ficou tão pequeno?

     

    Acho que não consigo mais ficar parado em um só lugar. Sem nenhuma pretensão, digo que o destino me reservou esse tipo de vida. Adoro viajar e aprender. Este é o meu desejo hoje, mas quem sabe daqui um tempo eu sossego. Ou me apaixono e mudo tudo.  

    Conta como você encontrou o Bert Stern e o que aprendeu com o homem que fotografou Marilyn em seu último momento? 

     

    Bert e eu somos muito amigos. Ele não tem muitos amigos homens porque prefere as companhias femininas. Pra mim hoje em dia ele é família. Eu era, e sou, fascinados pela fotos que ele fez de Marilyn para a Vogue América, quando Diana Vreeland estava na primeira semana como diretora da revista, e sugeriu que MM fosse a capa. Então, eu liguei para o Bert em Nova York pedindo uma entrevista para a Vogue Brasil. Deixei recado na secretária eletrônica e não esperava resposta, mas um dia quando cheguei em casa tinha uma mensagem dele. Meu coração bateu forte, afinal Bert é um dos maiores mitos da fotografia mundial. Nos encontramos em seu apartamento, em Nova York, e ficamos amigos. A entrevista foi para a edição de aniversário de 28 anos da Vogue Brasil, e a foto da Marilyn que Diana Vreeland queria na capa da Vogue América 40 anos antes, acabou sendo capa da edição brasileira. Sempre que nos encontramos, em Paris ou NYC, trabalhamos e rolamos de rir. Trocamos muitas e idéias e falamos sobre Stanley Kubrick, o cineasta, que era o melhor amigo dele. Estar com Bert é sempre um grande aprendizado porque é um homem que passou por tanta coisa e ainda está por aqui, trabalhando e contando histórias através das suas lentes. Sobre Marilyn, ele me disse: “Depois que a fotografei ficou muito difícil fotografar e criar outra coisa, porque ela era tudo ao mesmo tempo. Era o cinema, a deusa e a garota da casa ao lado, com quem você quer se casar. Eu poderia ter deixado a câmera de lado, fugido com Marilyn e sido feliz para sempre”. God bless Bert!

     

     

     

     

    Com os amigos Bert Stern e Pat Kurs, em Paris

     



    Escrito por Marioh às 21h11
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    The Grão Mogol Interview 1 - Parte 2

    Danniel chez lui

     

    Ao mesmo tempo, também dividimos o mesmo interesse por um “walk on the wild side”. Em sendo assim, me fale dos atores italianos de filmes eróticos Gabriel Pontello e Rocco Sifredi, aque você conehceu. Existe vida inteligente no “mondo porno”? 

     

    Quem com mais de 30 anos nunca viu as revistas Erotik e Supersex, ou assistiu os vídeos estrelados por Rocco Siffredi? Afinal, eu tive infância (risos). No caso de Rocco existe sempre o sexo sem limites, sem pudor e que faria o Marquês de Sade cobrir as paredes da sua cela na  Bastilha com as suas fotos do ator  “in action”. Ele é algo selvagem que eu acho bem interessante. Já Gabriel Pontello, foi o rei do cinema e das revistas pornográficos europeus dos anos 70 e 80. Sempre com um tom de decadência do velho mundo: chateaus, Rolls Royces, cenários à la Helmut Newton... Mas também bastante kinky. Mordomos fazendo sexo com ladies, lordes  agarrando criadas lindas... E por que não? Afinal, tudo fica bonito em um ambiente civilizado. Conversei com os dois atores e posso dizer que sim, existia um lado intelectual nesse mundo pornô. Claro que eles não leram a Biblioteca de Alexandria inteira, mas são pessoas muito interessantes. Assim como o Harry Reems, o astro pornô americano de Garganta Profunda. Recomendo o documentário Inside Deep Throat, que vai muito além do mondo pornô, fala de politica, sexismo e discriminação. E afinal, quem não gosta de passear pelo “wild side”? It’s always nice to try something new and fun.


    Por falar em datar, Jacqueline Susann – outra de nossas musas em comum – envelheceu ou seus romances O Vale das Bonecas, A Máquina do Amor e Uma Vez Só Não Basta ainda dão no couro nesses tempos de exposição excessiva na mídia e Botox express comprado via infomercial?

     

    Esses livros são clássicos que jamais sairão da minha biblioteca. Ainda são cults nos EUA e pelo mundo afora.

    Porque o básico do show business continua o mesmo, não é? Acredito que o que ela escreveu nos anos 60 ainda continua atual. Só mudaram a fórmula e os nomes: antes tomava-se Nembutal, hoje é Ambion ou Lexomil. Antes era o doutor Feelgood com seu famoso “Fox hot shot” todas as manhãs, para que as estrelas funcionarem durante um dia de trabalho. Hoje Michael Jackson morreu por uma injeção de algo similar...  E o jogo de sexo, pílulas, cirurgia plástica, drogas, money, poder e influência continua como sempre. Então, Jackie Susann ainda está com tudo em cima.  

    Me conta o que você anda lendo, ouvindo, frequentando, vestindo, comendo... 

     

    Well, sempre começo um livro e paro no meio. Às vezes volto. O último foi Admirável Mundo Novo, que nunca consigo acabar. E também Venus in Furs, de Leopold Von Sacher Masoch. Leitura leve... (risos) Freqüentando, well... private parties, galerias de arte... Acobo de voltar de uma linda exposição em homenagem a Charlotte Perriand, sócia de Le Corbusier e a primeira grande arquiteta do século XX. A abertura da mostra acabou com um jantar cheio de conversas inteligentes e muito vinho. By the way, ando comendo muito pouco, afinal li em algum lugar que quem come menos vive mais. Vestindo... bem, gosto de tudo, mas tenho queda por YSL, e quando estou em casa não me preocupo muito com roupas. Se é que você me entende. Ouvindo? Ella Fitzgerald, Ertha Kitt, Lily Allen e Chopin.  


    Just for the record: idade? Formação? Estado civil? Religião? A verdadeira tonalidade do seu cabelo?
     

    Idade, não conto. Estado Civil, solteiro. Formação, “learn by living”. Religião, God and good vibes para todos. Cabelos,  nasci louro, mas depois fui ficando mais inteligente a cor mudou. (risos)  

      
    Pra encerrar, dê uma Dica Bafo!

     

    Ever noticed how “What the hell” is always the right answer?

     

     

    Com Vera Valdez em Paris, 2009



    Escrito por Marioh às 20h58
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