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    Grão Mogol by Marioh


    Troféu Abacaxi

    Nos anos 60 Chacrinha, o Velho Guerreiro, costumava oferecer o Troféu Abacaxi para os piores calouros que se apresentavam em sua A Hora da Buzina ("É hora, é hora, é hora/É Hora da Buzina/O programa que acaba quando termina/Tem o prêmio do cantor/Tem o prêmio da bailarina/Tem prêmios de valor/Só acaba quando termina/O Chacrinha comanda a Hora da Buzina"). Mais tarde, quando a esculhambação do apresentador virou cult, o troféu também virou. Agora observando o recente Prêmio Moda Brasil, noto que o formato original do Abacaxi do seu Aberlardo Barbosa vem novamente a calhar.

    Senão, vejamos: o Prêmio Moda Brasil realizado no final de outubro - em cerimônia bastante simpática na Casa Fasano - tem o intuito de contemplar os profissionais do setor e incentivar novos talentos (através de um cheque de R$ 50 mil para a categoria Revelação do Ano). Então vamos lá pra ver o que acontece e, apesar de toda a explanação dos organizadores sobre o processo de votação e o número de inscritos (mais de 30 na categoria Revistas ???????), fica tudo na base do "ói, nóis aqui otra veiz". Reinaldo, Glória, Herchcovitch, Costanza, Erika... the usual suspects. Não, que eu não ache as coleções de Reinaldo, Glória e Herchcovitch ótimas, mas vão ficar se revezando nos prêmios até quando? A própria Costanza, no discurso de agradecimento do prêmio de Jornalista, assumiu que escreve apenas uma coluna por mês, em Vogue - sem falar que ela não atua de fato como jornalista de moda há pelo menos duas décadas. Costanza, além de uma unanimidade é empresária de sucesso à frente da Tecelagem Santa Constancia e personalidade fashion inconteste. Full stop. 

    Entre os títulos indicados na categoria Revistas estava Joyce Pascowitch, outra publicação sobre a qual também não resta a menor dúvida, mas que não é uma revista de moda - nem pretende, acho eu. Programa de Tevê, de verdade, temos apenas um, o GNT Fashion de Lilian Pacce, portanto também deve permanecer colecionando troféus. Enquanto o site o EP está longe de ser o melhor em uma categoria morna - na verdade não temos nenhum site de moda instigante ou bacana. Enfim, fica difícil entender os meandros e critérios dessa premiação. A não ser que se assuma realmente tratar-se de uma província em momento de auto homenagem, seguindo a lógica da diplomacia cordial e da boa vizinhança que não assusta os cavalos nem acorda as crianças.

    Sim, houve a grande e mais que merecida homenagem à querida Regina Guerreiro, que simplesmente roubou o show. Suas frases antológicas, devidamente interpretadas com verve e malícia por uma Déboa Bloch inspirada, mostraram que ela ainda é voz única e solitária na moda brasileira. Não conheço outra pessoa que pense a moda da maneira tão pop, sagaz e ousada quanto ela. A ótima reportagem feita por Beth Orsini duas semanas antes da premiação, no caderno Ela, de O Globo, vislumbrou o verdadeiro tamanho da contribuição da Guerreiro no cenário nativo. Falei para alguém que me entrevistou na saída do prêmio, que Regina é parte da cultura nacional e não apenas da moda. Fiquei imaginando o que passava pelas cabecinhas fashion juvenis enquanto eram projetadas imagens de alguns dos trabalhos de Regina feitos para publicações como Cláudia, Setenta, Vogue e Elle ao longo dos últimos 40 anos. Não temos visto nada parecido hoje em dia, mesmo com toda tecnologia digital à disposição. Certa vez, em um depoimento, defini Regina como um mix esperto de Diana Vreeland, lady Macbeth e Dercy Gonçalves. Hoje digo que Regina é Regina. E fim de papo. 

       

    Baião de dois: Regina Guerreiro e moi même na noite do Prêmio Moda Brasil 

    PS: Não, ainda não fui ver o documentário Alô, Alô, Terezinha. Mas ouvi dizer que o diretor, Nelson Hoinef, se atém ao mundo cão da vida das chacretes pós Discoteca do Chacrinha e não à trajetória do Velho Guerreiro. A conferir.   



    Escrito por Marioh às 13h19
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    Quase Proust

     

    Na falta de um questionário Proust (aquele publicado na última página de Vanity Fair) respondo as perguntas enviadas pelo misterioso Nucool.

    Ele quer saber "Afinal vc é mais...?"
     
    CHICLETE ou ASA DE ÁGUIA?
    Sarah Jane 
     
    GESTÃO LULA ou FERNANDO HENRIQUE?
    Odorico Paraguassu
     
    ALCINO ou PALOMINO?
    Cathy Horyn
     
    LABIRINTUS ou 269?
    Substation South
     
    PASCOLATO ou GUERREIRO?
    Livio Rangan 
     
    RG31 ou BLACKOUT?
    Beg your pardon... 
     
    Z CARNICERIA ou ASTRONETE?
    Spazio Pirandelo 
     
    BALADINHA ROCK ou ELETRÔNICA?
    Som de Cristal
     
    ATIVO ou PASSIVO?
    Lésbica separatista
     
    MEGAN FOX ou LOVEFOXXX?
    Dúvida cruel: Twentieth Century Fox ou Foxy Brown?
     
    MODA PARA VIDA REAL ou MODA PARA SONHAR?
    Roparhara, moda exótica
     
    VIAGRA ou CIALIS?
    Cielo, César Cielo
     
    VEGAS ou D-EDGE?
    Napalm  
     
    PRETO ou COLORIDO?
    Nude
     
    SEXO COM ou SEM BEIJO?
    Morde e assopra
     
    HERCHCOVITCH ou DUDU?
    Christine Yufon  
     
    JUNIOR ou DOM?
    Sean Cody 
     
    ANOS 80 ou 90?
    Gay nineties... 1890's 
     
    FERNANDA YOUNG ou MARILIA GABRIELA?
    Xênia... e você   
     
    LONDRES ou BERLIM?
    Samarcanda
     
    CAFÉ ou CHÁ VERDE?
    Chimarrão
     
    CACHORRO ou GATO?
    Tiranossauro Rex
     
    REICH ou FREUD?
     Jung
     
    RJ ou SALVADOR?
    BH (Beverly Hills)
     
    CIDADE JARDIM ou IGUATEMI?
    Burlington Arcade    
     
    DONATA ou ELIANE?
    Eliete


    Escrito por Marioh às 14h45
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    Não falei sobre...

    ...a morte do americano Irving Penn em 7 de outubro último, aos 92 anos. Um dos maiores fotógrafos do século passado e uma das mais longas carreiras no métier, cobrindo do final dos anos 40 até praticamente ontem. Apesar de famoso pelos instantâneos de moda e beleza (colaborando primeiro com Harper's Bazaar e em seguida com Vogue), realizou em estúdio uma série de retratos antológicos de grandes personalidades internacionais (Picasso, Stravinsky, Dietrich, Duchamp...) que primam pela dramaticidade e ausência de detalhes. Os fotografados eram posicionados em um canto onde ficavam praticamente acuados pela câmera de Penn. Casou-se nos anos 50 com sua modelo favorita, a sueca Lisa Fonssagrives, então na ativa desde a década de 30, tendo trabalhado com os históricos Hoynigen-Huene e Horst (apesar do currículo, ela costumava dizer nunca ter sido mais do que "um bom cabide"). 

    A imagem acima é dos anos 2000 para Vogue América, onde contribuía - pelo menos nos últimos 20 anos - em todas as edições ilustrando as páginas de saúde, beleza e/ou culinária (um simples ovo frito virava uma obra de arte surrealista sob as lentes do fotógrafo). Além de matérias de capa como um deslumbrante ensaio com Nicole Kidman.  E uma coisa que eu não sabia: ele era irmão do diretor de cinema e teatro Arthur Penn, autor de clássicos da tela como Caçada HumanaUma Rajada de Balas e Pequeno Grande Homem. Família boa, não?

     

    ...a morte de Dominick Dunne (à esquerda na foto acima com seu filho ator Griffin Dunne, o irmão escritor John Gregory Dunne e a cunhada escritora Joan Didion), aos 84 anos, em agosto. Fiquei fã do jornalista e escritor americano quando comecei a ler seus perfis de celebridades para Vanity Fair, nos anos 80 (mais tarde reunidos no volume Fatal Charms and Other Tales of Today, onde se destacam os encontros com Elizabeth "não me lembro de uma época da minha vida em que eu não tenha sido famosa" Taylor e Claus Von Büllow, playboy internacional acusado de induzir sua eposa milionária Sunny a um coma do qual jamais sairia - ele foi absolvido e hoje vive em Londres). Depois devorei seu primeiro romance The Two Mrs. Grenville, baseado num rumoroso caso de 1955, quando uma socialite de Nova York - ex-corista da Broadway - alvejou seu marido com uma espingarda alegando em seguida tê-lo confundido com um assaltante. A personagem real, mrs. Woodward, já havia aparecido no infame capítulo La Côte Basque do nunca terminado Answered Prayers de Truman Capote - texto que levou o autor de A Sangue Frio à desgraça entre os ricos, finos e chiques de Manhattan - mas Dunne, além de ter mudado o nome dos personagens, parece ter acrescentado muito pouco de ficção à suculenta realidade do escândalo. Em seguida veio People Like Us, um corte revelador da mesma sociedade nova-iorquina em tempos de arrivismo à la Donald Trump e novos impactos de comportamento. Uma das personagens socialites, a esnobe Lil Altemus, não conseguindo digerir a homossexualidade do filho e, pior ainda, a ligação dele com o sobrinho da empregada porto-riquenha, passa-lhe cartelas de barbitúricos ocultas num pacote de revistas ao visitá-lo no hospital, onde ele enfrenta complicações decorrentes da Aids. Como quem não quer nada, fala que ele não é o único caso de homossexualidade na família, porém esses antepassados foram honrados o bastante dando uma solução discreta e final para esse tipo de situação embaraçosa. Era esse o ambiente onde Dunne transitava e sabia reportar como ninguém. Claro que depois de People Like Us (mal traduzido no Brasil como Os Colunáveis) muitas portas lhe foram fechadas.

    Mas Dunne possuía outra fixação, a Justiça. Sua filha Dominique foi morta por estrangulamento pelo namorado e este absolvido. Dunne não se conformou com o veredito e a partir de então entrou numa cruzada pessoal. Munido de uma nova identidade profissional como jornalista - havia sido produtor de cinema em Hollywood nos anos 60 e, em seguida, caído em desgraça na comunidade cinematográfica - cobriu todos os casos mais rumorosos que frequentaram os tribunais americanos nos útlimos vinte e poucos anos, indo muito além das evidências apresentadas em corte, obtendo informações e declarações que nem a promotoria ou a defesa dispunham. Foi assim no caso dos irmãos Menendez - massacraram pai e mãe a tiros por uns dólares a mais - do ex-ídolo do futebol americano e ator O.J. Simpson e, mais recentemente, na morte do milionário Edmond Safra cujo enfermeiro particular era acusado de ter provocado o incêndio que vitimou o patrão. Aliás, dizem que durante a cobertura deste caso Dunne desenvolveu uma fixação platônica pela viúva do banqueiro, a brasileira Lily Safra. 

    Nos últimos tempos, vivendo entre Connecticut e Nova York, Dunne mantinha coluna fixa em Vanity Fair. Um diário onde registrava andanças pelo grand monde (entrega do Oscar, Festival de Cannes, temporada social londrina, alta-costura em Paris, encontros com celebridades como Kate Moss em Manhattan) e, claro, julgamentos. Não ficou satisfeito também com o veredito de inocente para Michael Jackson pelas acusações de pedofilia. 

    Jamais se recuperou da morte da filha (uma atriz em começo de carreira que pode ser vista como a filha mais velha da família assombrada de Poltergeist) e mantinha uma relação tumultuada com o irmão, o escritor e roteirista John Gregory Dunne, com quem ficou sem falar durante dois anos devido à divergências de opinião sobre o julgamento de O.J. Simpson. Seu filho Griffin Dunne (mais lembrado como o yuppie pateta de Depois de Horas, de Scorcese, ou o milionário pateta de Quem é Essa Garota?, com Madonna) dá um depoimento emocionado no report sobre a morte do pai na edição de novembro de Vanity Fair.  

    É uma voz da qual sentirei falta. 



    Escrito por Marioh às 20h29
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    Afinal, pra que serve a crítica?

    Post excelente do blog do Inácio Araujo.

    Vai lá



    Escrito por Marioh às 18h03
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