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    Grão Mogol by Marioh


    Guerreiros, venham brigar!

    Ontem o canal a cabo TCM exibiu um de meus filmes favoritos Warriors, os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979). Produção classe B da Paramount Pictures, concebida e lançada dentro do gênero exploitation: baixo orçamento + tema "social" contundente + tratamento sensacionalista = lucro imediato, porém limitado. Nada mais. Acontece que Warriors, dirigido por Walter Hill, bombou nas bilheterias já no primeiro fim de semana (em fevereiro de 1979), eclipsando produções milionárias e se tornando um dos mais vistos naquele ano. De quebra, virou cult, influenciou a estética cinematográfica da época e a moda de gerações futuras. Alguns se arriscam a apontá-lo como primeiro exemplo da cultura hip-hop no cinema (há uma misteriosa DJ de programa de rádio, com voz aveludada e lábios vermelhos, oferecdendo canções pop aos Guerreiros enquanto eles fogem noite a dentro). Mais tarde serviu de base para games de sucesso e, como pude conferir passeando pelos blogs da vida, 30 anos depois mantém-se hit entre a garotada. Em uma palavra: CLÁSSICO.

    Os Guerreiros são uma gangue de jovens de Coney Island participando de uma reunião de gangues em parque no Bronx onde Cyrus, o master líder desses bandos, incita todos a se unirem e tomar o poder na cidade de Nova York. Só que no meio do discurso, o bambambã leva um tiro à queima roupa. Injustamente acusados pelo crime, os Guerreiros têm de atravessar toda a ilha de Manhattan, pelas ruas e de metrô, até alacançarem a segurança de seu próprio território. Detalhe: TODAS as gangues da cidade estão em seu encalço. E tome confusão, correria e muita porrada até o desfecho da trama. 

    Os Selvagens da Noite é kitsch, exagerado e francamente hilário em algumas partes. Mas também tenso, eletrizante, bem dirigido, cheio de desempenhos sinceros e cativantes (o elenco é composto por jovens atores desconhecidos na época, escalados nos palcos da Broadway, já que as filmagens foram rodadas em Nova York). A violência é estilizada e as lutas coreografadas, com efeitos de câmera lenta, são como uma dança agressiva e viril que cola em nossas retinas. Nos 88 minutos de duração há apenas um vislumbre de sangue - nos lábios de um rapaz que apanha da polícia - mas temos a sensação de ter visto cortes de faca, ferimentos de bala, rostos desfigurados por socos e porretes. 

    Como todo cult que se preza, a mitologia em torno do filme floresceu ao longo do tempo. Nas comemorações dos 25 anos de seu lançamento, o diretor Walter Hill contou em entrevistas alguns dos fatos: 

    - Esperava que as sequências de luta fossem encaradas como pastelão (as platéias até hoje levam tudo a sério).

    - Calcou a jornada dos Guerreiros por Manhattan nas fábulas de heróis da mitologia grega. 

    - A certa altura o líder da gangue, Swan (Michael Beck, que depois estrelou Xanadu e sumiu do mapa) era raptado por uma gangue gay, da qual fazia parte o jovem Kevin Bacon, mas ficou tudo no chão da sala de edição.

    - Os Guerreiros do roteiro original eram uma gangue de garotos negros, mas a Paramount vetou a ideia.

    - Nas locações pelas ruas de Nova York, houve problemas com a polícia, com as gangues de verdade e com uma multidão que insistia em acompanhar a equipe mesmo às quatro da manhã sob um frio de rachar. 

    Fiquei sabendo que há uma refilmagem a caminho, dirigida pelo inglês Tony Scott, com a ação transferida para Los Angeles e estreia marcada para o verão de 2010. Mesmo com a parafernália digital, não acredito que será páreo para o charme do original. 

    Porém, o que toda uma multidão de fãs brasileiros adora é o que a dublagem faz com seu filme favorito ao ser exibido na tevê. Dá só uma olhada: 

         

    O ator esganiçado é Ned Patrick Kelly, hoje frequentador do elenco de séries como Law & Order e Gossip Girls.



    Escrito por Marioh às 14h33
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    Garoto da capa

    No último domingo fiz uma coisa que não fazia há muito tempo: comprei uma revista só pela capa. Simplesmente não me preocupei em conferir o conteúdo quando vi Keanu Reeves estampado na atual edição da Vogue Hommes International. OK, você vai dizer que ele anda em baixa sem emplacar qualquer coisa que preste desde a trilogia Matrix (o remake O Dia Que a Terra Parou foi um tremendo fiasco), porém simplesmente não resisto a mr. Reeves (leia aqui post sobre meu último favorito de Keanu, Constantine).

    É o seguinte, Vogue Hommes International - editada por Olivier Lalane -  não decepciona. Mesmo. Dedicada à moda primavera/verão 2009, tem como tema "Sex Symbols" e, mesmo não sendo uma revista gay (a conservadora Condé Nast não assumiria isso), revela-se uma lição no gênero para publicações aspirantes (se observarmos os títulos gays tupiniquins, todos se pretendem ter alguma coisa a ver como moda e estilo). Então, além da matéria de capa com mr. Reeves falando a Sabrina Chapenois e clicado por Amanda de Cadenet (starlet inglesa de projeção local agora transformada em fotógrafa e auto-intitulada "melhor amiga de Keanu Reeves"), temos um portfólio de sex symbols assinado por Bruce Weber (de Robert Mitchun a Louis Garrel, pasando por Rickson Gracie), um olhar sobre os modelos masculinos dos anos 90 (Mark Vanderloo, Werner Schreyer etc), entrevista com o escritor Bret Easton Ellis (Abaixo de Zero e Psicopata Americano) e muita informação pop: você sabia que Jon Hamm, da série Mad Men é ícone fashion do momento? Ou que Daniel Craig será o imperador romano Adriano na adaptação cinematográfica das Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar?

    Aí, surge a moda com editoriais mostrando uma seleção de roupas pink (segundo a revista, homens não têm mais medo de usar rosa... hmmmm, sei), o blue jeans como melhor moldura sexy, abusados retratos de moda by Mario Sorrenti, estilo casual vestido por um modelão inglês de nome Paul Sculfor que é sexy de doer os dentes e relógios fotografados por Terry Richardson, naquela histeria vulgarete que só ele sabe fazer. Ainda bem (eu NÃO gosto de Terry Richardson). Mas o editorial que mais gostei foi este...

    ... fotografado por Patrick Demarchelier com styling de Carine Roitfeld (confesso gostar cada vez mais dessa moça). Peças pescadas nas coleções masculinas da temporada e interpretadas à maneira grunge com kilts de Jean Paul Gaultier. Atenção para as unhas pintadas de preto. Um primoroso trabalho de styling.

    Mas, falávamos de mr. Reeves...

    Soooo sexy! 



    Escrito por Marioh às 20h25
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