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Um certo olhar

Gosto particularmente desta imagem de moda clicada por Otto Stupakoff em uma rua de Nova York em algum ponto dos anos 70. Ela de vestido drapeado abaixo dos joelhos e sapatos boneca (os anos 30 revisitados na época). Repare no terno calça boca de sino e o cabelo carneirinho do moço. Sobretudo, a situação de romance "beijo roubado no meio da tarde". Um instantâneo elegante, discreto e eficiente. Era assim o trabalho do fotógrafo brasileiro que foi pioneiro da moderna fotografia de moda no Brasil e tinha livre trânsito na imprensa internacional, principalmente nos EUA, onde passou boa parte da vida (Ruy Castro o cita na biografia Carmen, como jovem protegé da Brazilian Bombshell nos anos 50). Ele morreu hoje em São Paulo, aos 73 anos, de insuficiência cardíaca. Esbarrei algumas vezes no homem ao longo desses anos de jornalismo, infelizmente nunca tive oportunidade de trabalhar com ele. Acho que a gente teria se entendido. E eu, aprendido muito. Mas Sttupakoff não era apenas moda, também foi grande retratista, além de ter o olhar do fotojornalismo em seus registros de viagem. Abaixo, um Tom Jobim bem jovem e mais Bossa Nova do que nunca segundo Otto Stupakoff.
Escrito por Marioh às 16h37
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A garota por trás da porta verde

Descobri hoje, via blog do Inácio Araujo, sobre a morte esta semana de outro ícone do cinema pornô: Marilyn Chambers (acima). Ela estava com 56 anos e foi encontrada morta, na noite do último domingo, pela filha de 17 anos em sua casa num subúrbio perto de Los Angeles. Até agora não se determinou a causa mortis, mas por se tratar de acontecimento ligado ao mundo da pornografia existem as suspeitas de sempre: overdose, assassinato ou suicídio. Ao modo da indústria pornô, esta Marilyn foi tão superstar quanto a outra que conhecemos. No início dos anos 70 deixou a carreira legítima de modelo e atriz - depois de uma pequena participação no filme de Barbra Streisend, O Corujão e a Gatinha - para se aventurar no ramo do entretenimento adulto que na época começava a sair da clandestinidade, com investimentos na produção, roteiro e - acredite - atuações. Tempos depois, já famosa, Marilyn declarou ter optado pelos filmes explícitos por entender que o gênero era a nova e formidável fronteira aberta para o cinema pela revolução sexual e, para ela, seria o máximo tornar-se uma estrela e uma pioneira. Declarou também ter descoberto rapidinho que não era nada disso. Em todo caso, estrelou o sucesso de bilheteria pornô Por Trás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972) que junto com a mais conhecida obra do gênero, Garganta Profunda, lançado no mesmo ano, colocou a pornografia na cultura pop. O filme tem a ver com uma garota sequestrada e oferecida como delicioso repasto para um grupo de frequentadores de um sex club de luxo - o tal situado atrás da porta verde. A trama é exatamente a garota sendo preparada para o show no clube que, claro, degenera em uma grande orgia (entre outras atividades há o desempenho de uma incrível mulher gorda). Por Trás da Porta Verde sempre me vem à mente quando vejo a sequência do clube de orgias em De Olhos Bem Fechados (1999), de Stanley Kubrick. Além do filme ter sido um arraso de público, seus produtores os irmãos Jim e Artie Mitchell (nos anos 90 um deles foi assassinado pelo outro) exploraram muito o fato de Marilyn, antes da pornografia, ter sido a garota estampada na embalagem do sabão em pó Ivory Snow (segurando um bebê fofinho) ao lado do selo de qualidade que garantia ser o produto 99% puro, livre de substâncias tóxicas. Um pacote de Ivory Snow até aparece em cena, displicentemente, assim como quem não quer nada. Depois disso, Marilyn foi de sucesso em sucesso até declarar aposentadoria do negócio. Queria voltar à carreira de atriz não explícita. Voltou, em Enraivecida (Rabid, 1977) fita de terror classe B do diretor David Cronemberg - de posteriores obras de prestígio como Videodrome, Gêmeos - Mórbida Semelhança e A Mosca. Mas, em 1980 retornava ao erotismo com Insatiable, ao lado de outra lenda pornô, o superdotado John Holmes, cuja trajetória serviu de base para o roteiro do sensacional Boogie Nights (1997). No final do filme, após uma longuíssima suruba, a câmera registra uma Marilyn descomposta em close up, implorando: "More, more, more!". Teve mais, claro, e ela declarou ter passado os vinte e poucos anos seguintes alternando entre o pornô e o cinema legítimo. Jamais se arrependeu ou se desculpou por ter feito sexo diante das câmera porque, afinal, "era um prazer". Segundo os sites de dados cinematográficos, seu último filme foi um pornô rodado há poucos anos intitulado Porndogs: The Adventures of Sadie, com outra lenda do gênero, o gorducho bonachão Ron Jeremy - um que também nunca se envergonhou por trabalhar no ramo "adulto". Devo dizer que sempre admirei as pioneiras pornô: Linda Lovelace, Georgina Spelvin e a própria Marilyn. Porém minhas favoritas são outras: Constance Money e, sobretudo Annette Haven. Miss Money é a estrela de The Opening of Misty Beethoven (1975), agradável e curiosa mistura de sexo, humor e cinema verité. Já miss Haven, sempre belíssima, põe todas as outras no chinelo em títulos como Obsessed Anna (1977, com Constance Money) e A Coming of Angels (1979) - tenho certeza que ela foi a inspiração para o personagem de Julianne Moore em Boogie Nights.
Marilyn Chambers: "More, more..." 
Annette Haven: MORE!
Escrito por Marioh às 13h41
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