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Revistinhas e mr. Wrangler

Costumo dizer que não sou jornalista e sim "revisteiro" já que passei a maior parte da minha vida profissional fazendo revistas (com apenas dois anos a serviço da Folha de S.Paulo). Passei por Interview (primeiro a original, versão brasileira da Andy Warhol's Interview, mais tarde pela versão já totalmente tropicalizada e, posso afirmar, nosso primeiro veículo especializado em celebridades), Vogue, IstoÉ, Elle, Sexy e, hoje, o setor de custom publishing da Trip Editora. Não é pouca porcaria. Por isso, não me faço de rogado em opinar quando vejo um novo produto no mercado. Já falei aqui tanto de títulos surgidos durante o aquecimento do segmento gay ("Xunior", DOM e Aimé - outro dia vi a tal A Capa e, sinceramente, não precisa ser comentada), quanto revistas de interesse geral, como Piauí, Rolling Stone e Joyce Pascowitch. Além de ter comentado edições de Vanity Fair (minha favorita), GQ e até lembrar a falecida After Dark. Num post anterior manifestei perplexidade diante do lançamento de Gudi, título que se pretende de arte, moda e comportamento. Recebi vários comentários alinhados com a minha opinião, o que foi uma grata surpresa - afinal, parece, não sou o único entediado com propostas mirabolantes que no final entregam muito pouco do que o divulgado. O leitor Tommie Carioca me perguntou como eu acho que o budget usado para fazer Gudi poderia ser melhor utilizado. Dei uma resposta longa para depois ver que tudo se resume em "mais resultados e menos pretensão". Ou seja, não uma tola aventura editorial, mas um produto de verdade. OK, parece simples, mas não é. Uma revsita de verdade exige uma equipe afinada entre conteúdo editorial, direção de arte, produção executiva e publicidade, além da pós produção que envolve secretaria gráfica e impressão. Dá trabalho e custa caro (um investimento que leva certo tempo para dar retorno). Mais do que tudo, é preciso saber quem é "o tal leitor" e conhecer o mercado. Numa época de mídias digitais, começa a parecer estranho se apostar em revistas tal qual as conhecemos. Há novos formatos a serem explorados. Eu mesmo ando pensando em algumas possibilidades, porém mais não digo. Porque não sou tatu. 
Fico sabendo da morte, esta semana nos EUA, de Jack Wrangler, ícone do cinema pornô americano. Ele estava com 62 anos e sofria de câncer no pulmão. Devo dizer que mr. Wrangler faz parte da minha iniciação sexual no final dos anos 70, quando entrei em contato com a produção pornô gay da época, com filmes ainda rodados em película e feitos para serem exibidos em cinema, pouco antes da transição para o vídeo - considerada a era de ouro do gênero. Neste universo ainda bastante underground - o segmento gay não havia sido absorvido pelo mainstream como acontecera com o pornô hétero depois de marcos como Garaganta Profunda e Atrás da Porta Verde - Jack Wrangler era um dos astros do nicho, ao lado de nomes como Casey Donovan, Dick Fisk, Clint Lockner e Al Parker. Era de longe o meu favorito. Vi vários de seus filmes como Heavy Equipment (1977), Navy Blue e Killing Me Softly (1979), Wanted (1980) mas, sobretudo a trilogia Cage (leia mais aqui) - aliás, de onde acho que é a foto acima (na versão da trilogia que circula em DVD está cortada uma polêmica sequência entre ele e o barbudão Lockner envolvendo "water sports"). Depois Wrangler passou para o pornô hétero, mais tarde se tornou produtor teatral e se casou com a cantora Margaret Whiting, 22 anos mais velha que ele (nas fotos do casal ela parece ter sido um sapatão e tanto). Também escreveu uma autobiografia e foi motivo de um documentário Wrangler: Anatomy of an Icon, que eu ainda não vi, mas vou procurar. Obrigado, Jack. Valeu!
Escrito por Marioh às 22h27
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