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    Grão Mogol by Marioh


    Ainda Clodovil

    Acompanho a repercussão da morte de Clodovil. Entendo perfeitamente o "já vai tarde" por parte dos inúmeros desafetos ou pessoas que simplesmente não iam com os bofes do costureiro/apresentador/deputado. Mas constatar a desinformação generalizada dos coleguinhas e declarações infelizes de gente engajada e "bem pensante" é de doer.

    O gay profissional Luiz Mott, por exemplo, falou tudo o que Clodovil poderia ter sido e lamentou que ele tenha desperdiçado tantas oportunidades de se engajar na causa LGBT (ih, cada dia me embanano mais com essa sigla...). Mas, vem cá, será que era isso que o Clodovil queria ser? Por que o intlectual baiano julga sua opção de vida melhor ou superior à do falecido? Sem falar em outro coleguinha que apenas ressaltou o lado mais caricato, equivocado e triste de Clodovil à guisa de homenagem (além de publicar uma série de prováveis anedotas criadas a partir do passamento do personagem - todas de péssimo gosto, aliás mau gosto e estreiteza generalizada parecem ser marca registrada desse rapaz).

    Vi o mesmo acontecer em relação aos obituários de Dercy Gonçalves e Jorge Guinle. Ela acusada de falar palavrões e não ser uma personalidade progressista, mesmo tendo - à sua maneira - lutado desde sempre contra a censura. Ele condenado por nunca ter trabalhado, ter vivido à larga e gastado até o último tostão de sua imensa fortuna - mas também não se divulgou que ele deixou filhos e ex-mulheres em boa condição financeira, além de ter ajudado muita gente e promovido regabofes memoráveis para parasitas e aproveitadores de plantão. 

    "Se houver vida depois da morte vou adorar voltar só para assombrar essa canaille" (Paulo Francis) 



    Escrito por Marioh às 21h39
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    Seda pura e alfinetadas *

    Clodovil Hernandes, morto hoje aos 71 anos em decorrência de complicações pós AVC, foi o costureiro mais conhecido do Brasil. Não exatamente pela moda e sim muito mais pela persona televisiva desenvolvida em uma segunda carreira como apresentador a partir dos anos 80, misturando conselhos de moda, boas maneiras (à maneira dele) e espinafrando meio mundo em seu quadro no programa TV Mulher. Aliás, o carisma já havia se provado capaz de atrair audiência desde as aparições em atrações como o programa da Hebe, onde mostrava vestidos ("Para uma mulher de bancário se vestir comigo, primeiro o marido vai ter que asaltar o banco", disparou ele certa vez contra a apresentadora loura que, em um de seus antológicos lapsos, inverteu as bolas e perguntou quanto um bancário gastaria para presentear a esposa com um legítimo modelo Clodovil. Ela queria dizer "banqueiro", claro). O teste definitivo de popularidade aconteceu mesmo nos anos 70, quando enfrentou a bateria de perguntas do quiz show Oito ou Oitocentos (apresentado por Paulo Gracindo e Silvia Bandeira - então Falkenburg - nas tardes de domingo na Globo). Clo respondia sobre Dona Beija e levou o prêmio máximo de 800 mil cruzeiros (se não me engano era essa a moeda), mas depois armou barraco porque não fora informado de que a bolada era passível de descontos do Imposto de Renda. Puro Clodovil.

    Além disso, todo mundo conhecia a famosa richa entre ele e a então maior estrela da moda nacional, Dener - também elevado a ícone popular pela participação no campeão de audiência Programa Flavio Cavalcanti.  Já falei sobre isso aqui em um post sobre Dener. Clo também já havia flertado com o cinema em uma participação como ele mesmo na pornochanchada Lua-de-Mel e Amendoim (1971), dirigido por outro ícone fashion nacional, Fernando de Barros. Depois do sucesso na TV Mulher atacou até de cantor, apresentado-se em um número musical no Fantástico.

    Mas e a moda Clodovil? Well, ele mesmo assumia pertencer à velha escola e me contou - em uma entrevista feita para a falecida Interview, em 1979 - que sua inspiração primeira foi a trindade divina fashion: Dior - Fath - Balenciaga. Então, era adepto das regras clássicas da couture francesa dos anos 50 e não muito chegado a frufrus, babados, grandes ornamentações e outros exageros barrocos. Chamou Saint Laurent de cafona, com todas as letras, quando o mestre francês colocou um imenso laço nas costas de um longilíneo vestido de noite. Lembro de muitos modelos Clodovil esvoaçantes, em seda, chifon e musseline. Seus vestidos podiam ser românticos, porém não eram dramáticos. Ele estava mais numa batida da mulher racée com um pé no novo momento urbano, a dondoca que até se permitia trabalhar - mas não muito. Teve um ateliê luxuoso na avenida Europa e uma linha de design jeans, na época em que essa onda explodiu no mundo assinada por Calvin Klein e Gloria Vanderbilt. Além dele e de Dener, o mesmo momento fashion nacional abrigava os costureiros Guilherme Guimarães, Hugo Castelana e as madames Boriska e Rosita ("Acho esse negócio de usar madame antes do nome uma coisa madame Claude", zombava Clo, referindo-se à célebre cafetina internacional).

    Como toda personalidade talentosa e atormentada por fantasmas interiores (adorava contar sobre a condição de criança adotada, da descoberta da homossexulidade do padastro, dos abusos sexuais de um padre pedófilo etc), Clodovil gostava de causar, provocar, desancar, a-pa-re-cer. E o público adorava cada momento. Sua afetação era exatamente o que se esperava dele e ele não se fazia de rogado. Com isso ajudou a disseminar entre os incautos  a ideia de que sofisticação e chic só podem existir a base de muita frescura. 

    Teve altos e baixos. Ganhou e perdeu muito dinheiro vivendo cada momento sob a luz dos holofotes, como toda diva que se preza. Nos últimos tempos perdeu a mão total, com mr. Hyde tomando permanentemente o lugar do dr. Jekill. Emitia opiniões absurdas, mostrava-se reacionário e intolerante e caía no ridículo invariavelmente (sua briga com o pessoal do Pânico foi patética).  Entrou para a política com votação mais que significativa (a terceira idade votou em peso no velho ídolo), se indispôs tanto com o establishment cafona de Brasília quanto com as chamadas lideranças GLBTH que diziam esperar dele um engajamento maior nas questões pelos direitos da comunidade (não vou rir em respeito ao falecido).

    Enfim, esqueçamos o Clodovil rancoroso, desagradável, anacrônico e fora de sintonia do final da vida. Melhor ficar com a figura reluzente e divertida que habitou o inconsciente nacional por várias décadas com uma noção de glamour, um certo senso de moda e bom gosto. Não será esquecido facilmente.

    Descanse em paz, Clo.

    *Título da peça estrelada por Clodovil Hernandes nos anos 80, escrita especialmente para ele por Leilah Assunção que, antes de ser dramaturga de sucesso, foi sua manequim nos anos 60 (ainda não se usava o termo modelo).



    Escrito por Marioh às 17h28
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    Quando Paris alucina

    Ontem à noite, numa agradável ponte aérea Ritz-The Week, me atulizei com inside informations de quem vive "à Paris". Divido com os leitores.

    Carine Roitfeld (acima), directrice en chef da Vogue Paris, vai trabalhar toda de Galliano e, mesmo vestida pra matar (a saia justíssima a obrigava andar com passos de gueixa), almoça na cantina da editora Condé Nast  junto com os colegas de trabalho. Costuma ser simpática com os meros mortais, mas as diretrices das publicações da casa simplesmente não se falam. Sim, ela está mesmo no páreo para substituir Anna Wintour na direção da Vogue América - coisa que iria adorar, já que seus dois filhos vivem nos EUA. Aí, a geo-política da presse de mode internacional ficaria assim: Wintour aposentada (parece que já está escrevendo um livro), Roitfeld na Vogue América e Babeth Djian, directrice da Numéro (e criadora da icônica revista dos anos 80, Jill, além de passagens pela Vogue Itália e Glamour), na Vogue Paris. Tá?

    Jantar trés chic que se preze não pode deixar de ter, com destaque na mesa, sal negro do Havaí (parece que tem a ver com larvas vulcânicas com sabor pungente).  À venda na La Grande Epicerie (38, rue de Sévres) por uma baba de dinheiro.

    Entre as novas cores para a temporada printemps/eté 2009 das pólos Lacoste, o destaque é o roxo-violeta. Minha mente colonizada pensou em "plum", o ameixa que é vedete da estação, mas meu amigo Osvaldo Costa, fashionista extraordinaire e brasileiríssimo, me corrigiu prontamente: "Ipê roxo". Ainda não disponível nas lojas da marca por aqui. Anotou?

    Alguém em Paris queimou uma nota preta na compra de 3Km (mon Dieu!!!) de cristais Swarovski.

    Adorei milhões!



    Escrito por Marioh às 15h36
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    Boli Stoli, sweetie?

    Leio no site de minha querida Julia Petit(sco) que já estão gravando os primeiros episódios da versão americana da clássica sitcom britânica Absolutely Fabulous. Hmmmm.... não sei não. Além do delay de quase 20 anos duvido que o humor sulfúrico e politicamente incorreto do original sobreviva à América.

    A nota do Petiscos tá aqui.

    Sim, Julia, acho que não vou gostar mesmo.

    Thin and gorgeous...

     



    Escrito por Marioh às 14h31
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