Meu Perfil
BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, English, Arte e cultura



Histórico


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     UOL
     UOL SITES


     
    Grão Mogol by Marioh


    Role model

    Daí, a Isabeli Fontana (acima recebendo uma Amy rápida) tava lá no sofá da Hebe e disse que não gostaria de ter um filho gay.

    Daí, as "bee" engajadas se mobilizaram pra jogar pedra na moça e exigir respeito.

    Daí, Diana Vreeland já dizia, lá longe, "Modelos. São divinas ou as criaturas mais aborrecidas do planeta".

    Daí, que não se entrevista cabides.

    Daí, que debates indigentes não acabam nunca.

    Preguiça...



    Escrito por Marioh às 21h27
    [] [envie esta mensagem] [ ]



    Mais pijaminhas e mais da moda dos rapazes

    Bottega Veneta: pijamarama

    A temporada masculina primvera-verão 2009 terminou em Paris. Então dá pra fazer um balanço do que pintou por lá. Nada tanto assim, já que não estava lá para uma cobertura in loco - direto do front row. Mas minhas humildes impressões de iniciado no assunto. Entonces, é o seguinte...

    Na Botega Venetta (marca que eu lembro, lá de longe, era coisa de ladies who lunch) o designer Tomas Maier fez pijamas inspirados na silhueta anos 40, de bambambãs da época como Bogart e Mitchum (exemplo na foto acima). É usável e pra lá de confortável. Gosto da mistura blazer com pijama (a beauté privilegiou o look "acabei de acordar"). Tá na minha wishlist.

     

    Comme des Garçons: black is best

    Nos domínios nipônicos de Rei Kawakubo, saias masculinas são um must - a estilista japones adora. Teve o saiote dos soldados gregos, o kilt colegial e até a versão em babadinhos como no look acima. Rei disse ter acompanhado uma inspiração de trajes clericais. "Padres selvagens", definiu alguém da primeira fila. Ainda não sei quem é o homem consumidor de Comme des Garçons e Cathy Horyn, sempre muito invocada, já perguntou qual a importância da marca hoje em dia. Eu diria "conceito, darling, conceito". Bastante ousadia intelectual envolta em preto, muito preto.  

     

    Ann Demeulemeester: pai de santo alemão

    Fã confessa da roqueira Patti Smith, a belga Ann Demeulemeester (pronuncia-se "Demelemuster") dessa vez buscou inspiração no autor favorito de sua musa, o alemão Herman Hesse. Vestiu os modelos jovens na primeira parte do desfile com pijamas negros. Enquanto os modelos mais velhos (beeeem mais velhos), do último bloco, apareceram numa gama de branco, bege e off white. Alguma coisa entre jovens existencialistas e hippies veteranos - acho eu, porque dona Demeulemeester adora tribos inseridas no contexto. O traje pai de santo (acima), parece uma delícia de ser vestido.

     

    Jean Paul Gaultier: golpe de mestre

    Sim, o ex-enfant terrible chegou na meia idade e agora prova por A + B que sabe - e pode - tudo sobre porporção, silhueta e alfaitaria. Não é uma coleção provocadora ou irreverente. O mestre também visitou os anos 40, mais precisamente um filme western da época. Na imagem acima, a calça ampla constrasta e complementa a t-shirt superposta à segunda pele de estampado colorido, peça chave do repertório do estilista. Houve um bloco de xadrezes, num colorido com a mesma iluminação flamejante de Duelo ao Sol.

    Hermès: o máximo do minimal. Efortless!

    Aqui quem desenha é uma mulher, Veronique Nichanian (Gaultier desenha a linha feminina da casa), e seu verão sinaliza FÉRIAS. Mas que férias minimalistas. E chic. À noite, este homem se veste com os tricôs sofisticados e fluídos, linhos e algodões confortáveis e luxuosos. Atenção para a gama de cinzas. "Garbo e elegância" são de rigueur. Mas sem esforço. 

     

    Miharayasuhiro: desgaste hi-tech 

    Dificílimo de pronunciar, porém muito fácil de gostar. Este jovem designer nipônico foi até o artista plástico alemão Joseph Beuys em busca de inspiração. No visual de Beuys, não em sua obra. Ele era conhecido, sobretudo, por vestir-se com roupas gastas, surradas pelo tempo, desbotadas por produtos químicos, manchadas de tinta e umidade. Mihara também fez isso, mas por obra e graça da tecnologia. Uma coleção bem interessante com doses equilibradas de classicismo e ousadia (degradê ácido e bordados para serem confundidos com estampas). Dá um look no cós jeans da calça de alafaiataria da foto acima. Olho nesse moço. 

    Raf Simons: o antipijama

    Claro que Simons, dono de um estilo individual, não iria na mesma direção de todos. Sua intenção foi fazer um manifesto à alfaiataria, esquartejando o smoking. Pegou o traje e o reduziu ao mínimo. Nada de mangas ou calças longas. Suas bermudas lembram leggings de academia. (Aliás, há muitas cropped pants e bermudas nas coleções em geral. Mas elas parecem forçadas, mais num registro calças curtas - o look "pinto calçudo". Decididamente europeus não são desse ramo) Especialistas chamam a atenção para o refinado exercício de design de Simons. A inspiração vem do trabalho do artista nova-iorquino Christopher Wool e do compositor canedense Leonard Cohen. Mais cult impossível. 

     

    Paul Smith: picnic cósmico  

    Sir Paul Smith batizou seu verão de picnic cósmico. E explicou porque: aparência clássica com ideais psicodélicos. Segundo ele, uma citação dos dias em que as pessoas se vestiam de maneira comportada mas suas mentes já estavam afetadas pelos efeitos do LSD. Por essas e outras gosto de ver mr. Smith como uma alternativa boêmia ao estilo Giorgio Armani de ser. Mais um exercício de styling do que exatamente uma coleção. Boa sugestão para quem tem roupas caretas mas não quer ser visto como tal.

    Viktor & Rolf: academicismo kitsch

    O duo holandês que fez o caminho inverso na moda feminina (começaram na couture e depois foram para o prêt-à-Porter) é famoso pela sua moda artsy, seus defiles happenings e atualmente por uma exposição de instalações em Londres. Entretando o verão masculino da marca baseia-se num tema banalmente pop, em se tratando da dupla, é claro: Havaí nos anos 50. "Um momento onde as pessoas foram realmente elegantes", segundo eles. Traduziram isso em peças básicas ornamentadas com detalhes luxuosos. Seja um bordado em Swarovski, seja os materiais luxuosos do nerd look acima.

    Yohji Yamamoto: japonismo light

    O senhor absoluto da moda intelectualizada vem nessa temporada com pensamentos sombrios ("O mundo está cada vez pior"),porém ansiando por dias ensolaraddos ("Sejamos felizes!"). Por isso, o austero exercício sartorial chega calmo e confortável. Sim, a assimetria e o preto continuam lá, e as calças seguem o mantra do pijama. A sur´presa foram duas camisas coloridas de renda: uma azul (acima) e uma amarela. Misturando modelos jovens e senhores não modelos da sua faixa etária (sixtysomething), Yohji exibiu uma coleção sobre a passagem do tempo, trduzido em fomas, tamanhos e materiais que evocam o passado e recordações, porém sem nostalgia ou saudosismo. Envelhecer não é bom, parece dizer o designer, mas é o único caminho. Só nos resta aproveitar a existência da melhor maneira possível. 

     

    Yohji Yamamoto, o próprio: Bravo!



    Escrito por Marioh às 17h45
    [] [envie esta mensagem] [ ]




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]