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Festa do pijama

Prada: pijama executivo
Confiro on line os desfiles masculinos de Milão e Paris para a temporada Primavera-Verão 2009. E tá confirmado o look pijama: livre, leve e solto. Já tinha visto em editorial da Fantastic Man e eu mesmo fiz um editorial, no início do ano, apostando na onda (mas os editores da revista, parece, não gostaram muito da idéia - devem ter achado "di pobre" - e tesouraram legal alguns looks).
To seriamente inclinado a adotar o estilo pijamão. Afinal, é uma oportunidade de parecer despojado, confortável e ainda causar por aí ("Ih, olha só. Tá de pijama!", "Onde é que ele pensa que vai assim?"... se divirto).
Olha só, Prada fez (foto acima), Cavalli também, e Dries Van Notten, YSL (by Stefano Pilati), Etro e Dolce & Gabbana, claro. Agora, atenção: não adianta vestir aquele pijama que você comprou no brechó da Benedito (K-Y!), da Feira do Bixiga, da Augusta. Não é por aí. A moda, sempre muito cruel e caprichosa, tem seu códigos pra coisa não virar bagunça. Sem essa de homem desabado com cara de que acabou de acordar (na melhor das hipóteses) ou que dormiu com a roupa de ontem (na pior).
Dona Miuccia (Prada) brincou de mix de gêneros. Masculino, feminino, andrógino e muito pelo contrário. Tirando as camisetas gola canoa (nenhum homem, absolutamente nenhum, fica bem de gola canoa), tudo é muito sofisticado e up to date. Tem umas sobreposições de camisas pólo longas que, passado o susto, são bem interessantes. Curioso, costumo não gostar muito dos desfiles masculinos Prada mas, quando vejo na loja, quero quase tudo (e cadê o aqué$h? ai, ai, ai...).
Dolce & Gabbana: terno pijama Cosa Nostra
Os Dolce & Gabbana, Domenico e Stefano, investiram no pijama "di cum força" porque acreditam que agora tudo se resume em conforto e chamam os homens, literalmente, para a cama. Até os ternos são folgadões e vêm em tecidos com padrão de roupa de dormir - parecem feitos para algum membro fashionable da família Soprano. Detalhe: camisas são substituídas por écharpes de seda. Uma coisa peito aberto.

Roberto Cavalli: pijama de luxo
Cavalli tem os dois pés firmemente plantados no cafona e eu gosto que me enrosco. Ele faz o cafona com verve, con gusto e sem medo de ser feliz (no feminino, é o único que consegue soltar dois - ou mais - bichos num mesmo modelo e ainda sair vivo do embate pra deixar uma mulher simplesmente eletrizante). Seus pijamas são deliciosamente cafonas, felizes e impressionam que é uma beleza. Adorei essa túnica aí em cima. Até arriscaria numa festa de casamento high profile. Afinal, daqui a pouco o corpinho vai permitir.
Etro: pijama folk
Exuberante e esfuziante como sempre, Etro fez seus pijamas em sedas estampadas e com cara de playboy cafajeste - cafajeste à la mode, mas ainda cafajeste. Segundo Milão, o dandy já era. Acho perigoso o total look acima, mas as duas peças separadas rendem um ótimo caldo, fornecendo um toque pijama para outras montagens.
YSL: pijama de alfaiataria sutil
Chez Saint Laurent, Stefano Pilati também repudiou o dandy. Quer dizer, repudiou numas. Apresentou formas masculinas clássicas, mas costurou tudo com tecidos leves de roupas femininas como gazar, organza, tule, georgete. O que ele chama de "alfaiataria sutil". Uma subversão suavemente perversa apresentada não em um desfile, mas em sete filminhos de curta metragem cheios de referências experimentais e underground pescadas em Kenneth Anger, Andy Warhol e Godard. Achei chic, como diz Bianca Exótica. Bem chic.

Dries Van Noten: robe de chambre
O belga van Noten, famoso pelo astral étnico de suas criações, vestiu os rapazes também com alfaiataria. Menos sutil, porém tão sofisticada quanto. Dá uma olhada nesse trench-coat com pinta de robe de chambre. Sim, é preciso ousadia e muito espírito fashion pra encarar. Mas que categoria, não?
Bons sonhos.
Escrito por Marioh às 17h25
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Dama de primeira

Surpreso como todo mundo com a morte repentina da ex-primeira dama Ruth Cardoso. Lembro de uma reunião de pauta, há alguns anos, quando o nome da então primeira dama surgiu e foi rechaçado imediatamente - inclusive por mim. Tudo bem, não encaixava na pauta em questão e a presença dela na revista seria, no mínimo, forçar a barra. Mas vejo hoje que, por puro preconceito, perdi a oportunidade de fazer o perfil de uma pessoa interessante. Afinal, podia ter colocado d. Ruth tranquilamente em outro momento, em outra publicação (entre tantas e inexpressivas mulheres de presidentes, ela se mostrou única). Domage.
Não sou da política e nunca falo disso, ou de políticos, por aqui (não gosto do assunto, não domino). Fazer uma elegia à d. Ruth, portanto, soaria totalmente falso, fora de propósito e oportunista.
Mas o Marcelo Coelho, da Folha de S. Paulo, falou bonito no seu blog. Gostei. Pra conferir.
Decanse em paz, d. Ruth.
Escrito por Marioh às 18h56
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E agora a moda com Cristina Franco

Recebi hoje pela manhã uma ligação de Salvador. Do outro lado da linha, Cristina Franco, jornalista de moda que informou - e, em alguns casos, formou - toda uma geração com seu report sobre o assunto no Jornal Hoje, da Rede Globo. Primeiro com intervenções durante o noticiário ("E agora a moda com Cristina Franco" era a deixa para ela entrar em cena, sempre com brincos vistosos, cabeleira negra, batom vermelho e sotaque carioca inconfundível. "Essshtive em Milão..."). Depois com uma coluna eletrônica aos sábados, intitulada Ponto de Vista.
Há tempos não conversávamos - ela agora vive na Bahia, longe dos holofotes fashion, porém sempre conectada com os negócios da moda. Daí, conversa vai conversa vem, era inevitável não falar sobre São Paulo Fashion Week. Ela não compareceu. Aliás, retirou-se da cena com discrição e elegância há algum tempo ("Foi uma opção", daclarou). Eu também não, porque afinal não precisava cobrir o evento (thank God, não faço isso há algumas temporadas) e depois, como bem lembrou um amigo maquiador: "Mario, é imoral ir naquele lugar se não for por dinheiro".
No papo matinal, falamos do esvaziamento e da pouca relevância dos eventos de moda (ah, então a Karolina Kurkova está gorda, veja só...). Do arrivismo empresarial, tipo grupo I'M (dos imbroglios envolvendo Zoomp, Fause Haten e quase Alexandre Herchcovitch - digo "quase" porque mr. Herchcovitch sabe muito bem onde pisa), da falta de assunto generalizada (quanto mais gente envolvida na cobertura - blogs inclusos de maneira espantosa - menos se tem do que falar) e concordamos que "the next big thing" no cenário fashion não virá de nenhuma semana de desfiles. Com licença da expressão, o buraco está mais embaixo. E faz tempo.
Enfim, ótimo ter colocado o assunto em dia com la Franco com quem, faço questão de dizer, aprendi a usar a terminologia fashion em um texto. Toda vez que uma imagem das coleções de Paris, Nova York ou Milão vinha parar na minha mesa, pensava: "Como Cristina Franco diria isso?". Aí, recebia uma Cristina rápida e mandava ver. Era tiro e queda: "Para Giorgio Armani, o preto & branco é vedete", "Givenchy apresentou sua mais elaborada coleção em anos, com vestidos diáfanos e irisdescentes" etc e tal. Enfim, foi uma escola.
Minhas saudações fashionistas!
PS1: Achei interessante, ainda que rabugenta, a visão do crítico da The New Yorker sobre Sex and the City. Vai lá.
PS2: Apesar de ter lido - e postado aqui - a presença no mercado do fime Crown, o Magnífico em DVD, não o encontrei em nenhuma prateleira do varejo (leia-se Fnac e Livraria Cultura. Aliás, a vendedora da Cultura me garantiu que ainda não foi lançado mesmo). Enquanto isso, vejo Steve McQueen - o astro do filme - em tudo que é anúncio e editorial de moda das revistas glossy, estampado nas camisetas Dolce & Gabbana. É o ícone vintage da temporada. Fico no aguardo.
Escrito por Marioh às 18h28
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