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    Grão Mogol by Marioh


    Na porrada!

    O mundo do boxe é uma metáfora muito querida quando Hollywood quer falar da vida como ela é. Desde Punhos de Campeão (Golden Boy, 1939) passando pela cafonália de Rocky, o Lutador (1977) e pelo magistral O Touro Indomável (Raging Bull, 1981), esse mundo de homens durões, movido a testosterona e sonhos de glória (os atletas invariavelmente são pobres e lutam em busca de reconhecimento, fama e fortuna) tem um apelo quase iresistível sobre crítica e público. Menina de Ouro (Million Dollar Baby) entra agora para essa galeria e já chega com uma medalha de honra ao mérito no peito, devido à força com que o diretor Clint Eastwood trata a história da garota pobre buscando no ringue tudo o que a vida lhe negou (a família da moça, puro white trash, é tipo uó) e seu encontro com o treinador veterano, fracassado e atormentado por um passado que nunca nos é revelado.

    É um filme crepuscular. Uma luz baixa incinde sobre o olhar dos atores como se eles estivessem o tempo todo encarando um pôr-do-sol. Tudo muito melancólico. E, desde o princípio, sabemos que os personagens centrais têm encontro marcado com a tragédia. O velho treinador, vivido por Clint Eastwood, aprontou algo muito terrível e passa seus dias entre a igreja (não, ele não quer o perdão de Deus, apenas uma explicação) e sua academia de boxe de terceira. Scrap, seu assistente (feito com cadência de monstro sagrado por Morgan Freeman), teve seus dias de glória no ringue até encontrar o nocaute que o deixou cego de um olho. Claro que Maggie, Hillary Swank - contida e muito competente - só pode se dar mal em algum ponto de sua brilhante ascensão no esporte. Clint trabalha muito com close ups (a cara vincada do treinador, o olho morto de Scrap, os olhos esperançosos e o nariz quebrado de Maggie) e sabe manipular a emoção do espectador (todo mundo chora nos pontos certos). Por essas e outras, o filme é bem previsível em sua diginidade de nobre infortúnio.

    No post sobre O Aviador, escrevi que duvidava da Academia deixar de premiar o melô de Menina de Ouro para dar a estatueta ao filme de Scorcese. Agora, visto o drama de Clint Eastwood, percebo que ele não tem a cintilância exigida pela Academia. Já O Aviador combina mais com estes tempos de doutrina Bush (loucos sim, porém ricos, cheios de brinquedinhos bacanas... e mortais). Vai ser uma briga boa.

    Se gostei de Menina de Ouro? Assim, assim. Eastwood já fez melhor, mas não com tanta vontade de emocionar (agradar?) todo mundo.

     



    Escrito por M&M às 16h41
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    Little Britain

                             

    Recebo do colega Robert Forrest, nosso international fashion consultant, um DVD duplo com a primeira temporada da série da BBC Little Britain. Trata-se da comédia de maior sucesso na tevê britânica e acaba de faturar o BAFTA (o Oscar britânico) em sua categoria. O gorducho Matt Lucas (foto acima, caracterizado) e o boa pinta David Williams formam a dupla de comediantes que encarna uma série de personagens caricaturais nos microsketches da meia hora de duração de cada episódio. Tem a delinqüente juvenil Vicky Pollard (cabeça oca, fofoqueira e maloqueira que apaga o cigarro e faz xixi na piscina pública), a bicha gorda hilária Daffyd Thomas (que se considera o único gay na aldeia onde vive), a orientadora de uma associação tipo Vigilantes do peso, Marjorie Dawes (tirana, preconceituosa e picareta), Lou e Andy (Andy finge ser deficiente físico, obriga o amigo a empurrá-lo na cadeira de rodas e a satisfazer todas as suas vontades, só pra no final dizer "Não gosto disso") etc.

                              

    É humor britânico na veia: nonsense, politicamente incorreto, bizarro e extremamente particular. Trocando em miúdos: não viaja bem. Little Britain não tem o apelo globalizado de Absolutely Fabulous (a sitcom por excelência dos anos 90, apesar dos Seinfelds e Sex and the Citys da vida). Ou seja, não fala com platéias sem um mínimo de familiaridade com as excentricidades e o olhar cínico sobre a existência que os ingleses possuem. Não funciona no Brasil (nosso humor é muito mais ingênuo, pateta, chanchadeiro e pegajoso - e isso não é um desmerecimento, nem uma crítica).

    Assisti ontem à noite aos quatro primeiros episódios da primeira temporada (a segunda temporada acaba de terminar na Inglaterra). Achei estranho a princípio (ainda bem que o DVD tem legendas e inglês pra gente poder entender o cockney cheio de gírias e com velocidade de metralhadora da delinqüente Vicky) e não consegui me envolver muito com os seketches (tudo parece mal acabado, sem conclusão). Mas no final já me peguei dando gargalhadas em certas situações ridículas, como a do gay Daffidy (foto abaixo) tirando satisfações com um outro rapaz da aldeia por ter comprado o único exemplar da Gay Times disponível na banca de revistas. E também a bichona travada assessora do Primeiro Ministro (David Williams, na foto acima), louca pra dar uns catos no chefe. Pra não dizer no garotão tarado que quer comer a vovó coroca do melhor amigo. Claro que o tempo vivido na Inglaterra me ajuda muito a decifrar esse humor nada hospitaleiro.  

                            

    Encaro o segundo DVD logo mais à noite. Confesso não ter ficado hooked, como aconteceu na primeira vez que vi Ab Fab, lá nos idos de 1992. Acho que Little Britain está mais pra gosto adquirido, como outra série da BBC, The League of Gentlemen, que odiei a princípio e depois me escangalhava de tanto rir. Vou conferir e depois eu conto... 

    Stay tuned.      



    Escrito por M&M às 10h10
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