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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, English, Arte e cultura



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    Grão Mogol by Marioh


    Voando para o Rio

    Semana esquisita, astral confuso, más notícias...

    Melhor aceitar o convite do Fashion Rio e dar uma de Ginger & Fred: Flying Down to Rio.

    Antes, porém, pit stop profissional em Paraty, to meet international fashionistas: Carline Cerf, Michael Roberts, Robert Forrest, Naomi Campbell...

    Depois Rio, no Glória, to meet more fashionistas.

    Praia no fim de semana? Almoço no Lucas? Jantar no Guimas?

    Hmmm... Será?

    Ah, melhor se jogar, né?

    Here I go...  



    Escrito por M&M às 11h58
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    Para um amigo querido

     

    "Os sentimentos imensos não têm nome."

                                                   Hilda Hilst



    Escrito por M&M às 01h54
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    Vintage Porn

                                     

      

    Minha intuição estava certa: São Paulo Fashion Week não rolou pra mim este ano. Até tentei, mas depois de uma sábia declaração de miss Guerreiro (diante da sensaboria desta edição do evento): "As pessoas cansaram de brincar disso", decidi relaxar e olhar em outras direções.

    Aproveitei o fim de semana para dar uma olhada nos DVDs que achei outro dia, mocozados em uma banca de revistas na Paulista. Trata-se da célebre trilogia do diretor Joe Gage, um dos mais festejados do gênero pornô gay. Kansas City Trucking Co. (1976), El Paso Wrecking Corp. (1976) e L.A. Tool & Die (1979), formam um painel do cinema erótico que se produzia na década de 70 e que foi consumido por uma questão social/moral (o evento da Aids) e tecnológica (o surgimento do vídeo). Ecos dessa estética podem ser vistos em filmes mais recentes como Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson, e o maravilhoso Kill Bill, de Quentin Tarantino.

    Basicamente a trilogia é um épico que conta a história de homens rústicos envolvidos em sexo anônimo uns com os outros e/ou tendo delirantes fantasias homoeróticas. É a América blue collar em uma representação exacerbadamente masculina (tem coisa mais "macho" que um caminhoneiro?) se entregando a prazeres proibidos sem limites. Um banquete erótico com direito até a uma cena de masturbação feminina (em El Paso Wrecking Corp.). 

    Vi os três originalmente em 1979/1980, quando as Termas for Friends (bastião da vida gay na cidade, devia ser tombada...), além de servir de iniciação sexual e válvula de escape para toda uma geração de homossexuais que viviam, pela primeira vez, uma certa visibilidade e tolerância (ser gay, naquela época, era super hype, uma vez que a revolução sexual estava a todo vapor), era também um posto de exibição do que se produzia nos porões da indústria norte-americana de entretenimento. Claro que esse tipo de filme era exibido com intenções mais do que evidentes (nenhuma delas de cunho artístico cultural, diga-se), mas nunca disse não para qualquer gênero de cinema. E os filmes homoeróticos da década são parte mais que fundamental em minha cultura cinematográfica e formação intelectual.

    A Trilogia Gage, como é conhecida pelos enciclopedistas de cinema (essas fitas estão no acervo permanente do MoMA, em Nova York) tem aquele tom onírico e o caráter experimental das produções independentes, que então negavam qualquer tipo de hollywoodianismo e tentavam combater o sistema. Com seu caráter libertino e anárquico, os filmes de Joe Gage e seus colegas pornógrafos da época (Wakefield Pole e Fred Halsted, entre outros) são filhos diletos da tradição fundada no cinema americano por Sem Destino/Easy Ryder. Aquele "viva e deixe viver" que a América soterrou com sua idiotice politicamente correta.   

    A ação basicamente gira em torno de uma dupla de trabalhadores. Caminhoneiros em Kansas, operários de demolição em El Paso e metalúrgicos em L.A.. Richard Locke, um tipo grisalho, machão e sátiro insaciável é o "herói" da saga e aparece nos três filmes. E lá estão presente todos os arquétipos das fantasias gay: o sedutor assumido, o hetero curioso (preso em um casamento frustrado), o jovem inexperiente, o devasso total (sex pig). A fotografia é suja, granulada, o som claudicante, cheio de ruídos (trânsito, vento, pássaros), a trilha sonora meio disco, meio psicodélica, meio western (não tenho dúvidas de que Tarantino conhece, e bem, o trabalho de Joe Gage). Jovens paladares com certeza não vão curtir a iluminação escura de certas cenas (principalmente nas sequências de sonho), mas o clima geral da produção - que inclusive tem roteiro, trama e "interpretações" - é quase hipnótico e altamente excitante. 

    Highlights:

    - Os atros Richard Locke, Fred Halsted (que também era diretor), Jack Wrangler e Will Segger. Tipos maduros, straightacting e extramente sexy.

    - A trilha sonora de Mann Parrish.

    - As orgias que encerram os três filmes, com destaque para a de El Paso Wrecking Corp

    - A ponta da deusa pornô dos 70, Georgina Spelvin (de The Devil in Miss Jones), como a garçonete em El Paso.

    - A sequência da masturbação dentro do caminhão em Kansas.

    - O completo abandono dos atores (na verdade, muitos eram não profissionais recrutados nas comunidades gays de Nova York, L.A. e San Francisco) durante o sexo e o não uso de preservativos fazem desses filmes verdadeiras cápsulas do tempo de um mundo que já recebeu a visita do Apocalipse.

    A quem interessar possa, Joe Gage continua na ativa, produzindo novos títulos para os grandes estúdios do cinema adulto gay. Não vi nenhum desses Gage safra 2000, mas as publicações especializadas garantem que estão todos acima da média e que o mestre continua com total domínio de seu métier.

    Do mesmo diretor, recomendo também Closed Set (1980. Tenho uma cópia antiga e mal gravada) e Heatstroke (1982. Vi uma vez em Nova York, mas nunca encontrei um cópia pra comprar), seu trabalho mais ousado e radical. Dizem os especialistas que as versões em DVDs foram sanitizadas em nome do correcionismo político (faltam cenas de water sports, fistfucking etc...). Em todo caso, valem a visita.

    E aqui vai uma foto do diretor Joe Gage em seus tempos de glória:

                           

    Keep on trucking...

     

      

       

     

       

      



    Escrito por M&M às 00h21
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