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    Grão Mogol by Marioh


    Monty

     

    Do cinema nos anos 50 adoro Montgomery Clift (1920-1966). Era mais cool que Brando, mais intenso que Paul Newman e mais atormentado que James Dean. Sempre tem aquele livro sobre Hollywood (na maioria das vezes mal escrito) e aquele documentário do E Entertainment Television (ou do Multishow) que deixa no ar a questão: era gay, sexualmente ambíguo...? Era gay, sim. E lindo. Dulce Damasceno de Brito, a jornalista brasileira correspondente dos Diários Associados em Hollywood na época, me contou em entrevista nos anos 80: Elizabeth Taylor chorou no ombro dela, no set de Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956), porque estava apaixonada por Monty mas ele andava envolvido com um certo rapaz... Mais tarde, Monty sofreu um acidente (ele enchia a cara) que lhe desfigurou o rosto. Nunca se recuperou do baque e foi de gole em gole até o ataque cardíaco final.

    Recomendo: Tarde Demais (1949), onde seduz a ingênua, feiosa e rica Olivia de Havilland. Um Lugar ao Sol (1951), onde afoga a feiosa (e pobre) Shelley Winters pra ficar com a gostosa (e rica) Elizabeth Taylor. A Tortura do Silêncio (1951), um padre sofrendo com o drama do sigilo da confissão. A um Passo da Eternidade (1953), onde faz o soldado problemático às vésperas do ataque japonês a Pearl Harbor (mas foi seu amigo boa praça, interpretado por Frank Sinatra, quem levou o Oscar naquele ano)  A Árvore da Vida (1957), produção suntuosa da MGM durante a qual ele sofreu o tal acidente, e aparece lindo no início e remendado no final. De Repente, no Último Verão, o dramalhão escandaloso de Tennessee Williams onde ele faz o médico relutante em executar uma lobotomia na belezinha Liz Taylor. A tia dela, a megera Katherine Hepburn, quer apagar da mente da pobrezinha o incidente que matou seu querido filho, o homossexual Sebastian. E, principalmente, Os Desajustados (1960), último filme de Marilyn Monroe e Clark Gable. Obra prima escrita por Arthur Miller e dirigida por John Houston. Um filme dilacerante a cada fotograma.

    A foto acima deve ter sido feita no início da carreira de Monty em Hollywood. E não fica devendo nada aos hearthrobes dos dias hoje. Com o agravante de que os bonitinhos do momento não têm um terço do talento do rapaz. 

    Nunca viu Monty? Tá esperando o quê?

      



    Escrito por M&M às 01h25
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    Dançar pra não dançar

     

     

    "Dancer from the Dance", um de meus livros favoritos e o único que eu comprei pela capa, em algum lugar em 1978. Foi para mim uma viagem até uma Nova York noturna, gay e pré-Aids. Um mundo onde homens sem camisas banhavam-se em música nos clubs de Mahattan e, além de sexo, desejavam apenas juventude e beleza. Ou seja, tudo igualzinho o que acontece hoje em dia. Escrito pelo americano Andrew Holleran - ainda na ativa - é uma obra gay a ser descoberta por quem pretende realmente encarar dignidade, atitude e aceitação. Portanto, indispensável!

    Um trechinho, no original (não resista, LEIA!):

    "I used to sit on the sofa at the Twelfth Floor and wonder. They were so atractive, these young men who diasppeared night after night into the frenzied clubs of New York City.

    They were tall, with handsome, open faces and strong white teeth, and they were all dead. They live only to bathe in the music, and each other's desire, in a strange democracy whose only admission ticket was physical beauty. All else was clasless: the Puerto Rican boy who passed out on Tuinols washed dishes at CBS, but the doctor bending over him had treated presidents.

    It was a democaracy such as the world - with its competition and snobbery - never permits, but which flourished in this little room on the twelfth florr of a factory building, because its central principle was the most anarchic of them all: erotic love." 

     

    Pra se jogar com força.     



    Escrito por M&M às 23h40
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    Sabedoria fashion

     

     

    "Exaggeration is the only reality"

                                         Diana Vreeland, fashion guru (1906-1989)

     

    Ave, Diana! 

     



    Escrito por M&M às 00h15
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    Fräulein parte 2, o retorno

    Voltamos com o fenômeno Fräulein, como o prometido. Mais uma garota who speak deutsch junta-se à turma de Brigitte Helm e Zarah Leander.

    Nina Hagen, anos 80 à la mort

    Sempre gostei das atrações mais obscuras e esquisitas. Desde criança. Quanto mais estranho o artista apresentado na TV (sou da primeira geração que cresceu vendo televisão. Tevê para nós é um fato consumado), mais eu me interessava. Assim, não foi surpresa nenhuma encontrar o universo underground. Era tudo que eu sempre intuíra que fosse o show business de verdade. Nesse sentido, os anos 80 foram a minha década de iniciação e aperfeiçoamento no bizarro por excelência. E Nina Hagen era o mais bizarro que se podia imaginar em 1980. Já havia travado um encontro com os B-52's, mas os considerava tão divertidos e inofensivos quanto os reruns de Batman exibidos na tevê. Nina era visceral e estapafúrdia.

    Trabalhava desde 1978 na revista Interview, versão bastarda da original Andy Warhol's Interview de New York. Bastarda ou não, o fato de carregar, ainda que indiretamente, a grife Andy Warhol era garantia de carte blanche até em um país governado e vigiado por uma ditadura militar. E isso é que eu chamo de "subversivo".

    Well, portanto recebíamos informação fresquíssima das metrópoles América e Europa. Em um desses malotes (na época eu mal fazia idéia de onde partiam) chegou a foto de uma garota de olhos muito maquiados, boca negra (a foto era P&B) e uma franja de bico estilo "a vaca lambeu". Em anexo, uma entrevista: Nina Hagen. Cabaré, Punk e Bertold Brecht. Conheci a peça antes de ouvi-la, o que aconteceu meses depois, no apartamento do Carlini (e você vai saber muito mais dele futuramente) durante uma noite de rock & cannabis.

    Fräulein Hagen é de Berlim Oriental e derrubou o muro antes de todo mundo. Nascida em 1955 (sob o signo Peixes), já estava na vida em 1973. Na época em que a descobri, era a líder da Nina Hagen Band, fazendo barulho por toda a Europa (enquanto New York demoraria alguns anos mais para se tocar do hype).

    E como adorávamos Nina Hagen nos 80. Sua versão do clássico cafona My Way, de Frank Sinatra, era malcriada e descabelada, como quem mostra a língua para as visitas na sala de jantar. Mas em Angstlos (1983), ela cantava Zarah - Ich weiss, es wierd einmal ein Wunder geschehn e quebrava tudo: suástica meets anarchy & rock'n'roll. Descobri na sequência que era um cover da Zarah Leander (não me pergunte como) e a elegi como minha "esquisita de plantão". Outro dia baixei as duas versões da canção pelo Kazaa. Uma loucura. O basso profondo de Nina foi totalmente clonado de Zarah. Aliás, a Leander era famosa por esse registro vocal.

    Corte para 2004: como Rod Stewart, e outros com a carreira de popstar andando na contramão, Nina lançou um CD, em 2003, com standarts do cancioneiro pop, como Let Me Entertain You, do musical Gipsy, e Fever (gravada no meio dos anos 80, muito antes de Madonna). Ela é uma cantora a se prestar atenção e até a se fazer uma certa reverência, pois é uma verdadeira trouper. E isso nem o equivocado affair com Supla pode eclipsar. 

    Adoro la Hagen. Full stop!    

     

     



    Escrito por M&M às 00h51
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    Fräulein

    Sexta-feira meu amigo Beto me convidou para uma sessão de DVD. Beto é fotógrafo e anda "apurando o olhar". Por isso, convencido por um "certo amigo" muito do sabichão, se associou a 2001, com aquele acervo escândalo. Como, por razões que aqui não vêm ao caso, estávamos em um momento "cabeção", ele alugou Metrópolis (1927), o clássico mudo, expresionista de ficção-científica dirigido por Fritz Lang. Já havia visto muito tempo atrás, primeiro em uma versão, acho eu, original, depois na pasteuzida e popizada por Giorgio Moroder, com direito a Queen (Radio Ga-Ga), na trilha - entre outras atrocidades. Então me joguei novamente na onda. Aliás, ver DVD no Riginikplex is quite an expereience.

    Brigitte Helm, a santa e a falsa Maria

    De imediato lembrei que a estrela de Metrópolis - se é que o filme tem alguma - é Brigitte Helm, atriz alemã que me foi apresentada pelo expert Patricio Bisso. Em Metrópolis ela é a santa ativista Maria, decidida a mostrar aos operários do mundo subterrâneo que existe a salvação religiosa e, para os privilegiados do mundo superior, que os operários são seus irmãos. Mas a coisa desanda quando um cientista louco "clona" Maria em um robô. A "falsa Maria" é lúbrica e maliciosa. Planta a discórdia e a violência entre os operários. Sua marca registrada é uma piscadela de olho com cílios quilométricos. Bela interpretação de uma época quando "ninguém precisava de diálogos, pois tínhamos rostos", nas palavras da ensandecida Norma Desmond. Sei que fräulein Helm fez mais alguns filmes até a metade dos anos 30, mas depois sumiu junto com o sonho do Reich de mil anos. 

    Zarah Leander, nazista, aliada ou comunista? 

    Vivemos desde sempre sob o domínio de Hollywood, que esquecemos que houve outras estrelas de cinema além das criadas em estúdio da Califórnia. Numa seqüência chave da tela dos anos 70, Liza Minelli, como a Sally Bowles, de Cabaret, diz para um jovem e bonitão Michael York que gostaria de ser como Zarah Leander, sua "estrela favorita dos musicais da UFA". E era isso mesmo. Zarah Leander (1907-1981) era a estrelíssima do cinema alemão rodado nos estúdios da UFA, em Berlim, nos anos 30. Na verdade, ela era sueca e, ao contrário de sua conterrânea, Greta Garbo, não quis saber de Hollywood.Fez carreira em filmes cafonas e superproduzidos que faziam as delícias do público europeu da época. Depois de fazer muito sucesso - e ganhar muito dinheiro - Zarah sentiu que a barra ia pesar e, polidamente, recusou o convite para participar de filmes nazistas, retirando-se para a Suécia. Durante a Guerra, foi apontada pelos nazistas como aliada dos ingleses e, pelos americanos, como nazista. No pós-guerra, foi reabilitada pelos americanos e tentou retomar a carreira de chanteuse - como sua colega, Marlene Dietrich. Mas a alegria durou pouco e logo se viu perseguida novamente pelos americanos. Dessa vez como espiã comunista. Não lhe restou outra saída a não ser fugir para Berlim Oriental, onde não só recuperou o sucesso como virou lenda. É um dos maiores ícones gays da Europa do Leste. Como era considerada persona non grata pelo Tio Sam, seus filmes e discos dificilmente chegavam ao ocidente. Mas até hoje, se você for a um cabaré gay do centro-leste europeu (de Berlim a Viena, de Praga a Budapest), com certeza vai ver uma drag-queen imitando Zarah Leander. Seu maior sucesso é a exortativa Ich weiss, es wierd einmal ein Wunder geschehn, regravada nos anos 80, com muito estardalhaço por Nina Hagen. Aliás, Nina é filhote dileto de Zarah Leander... Mas isso eu conto na segunda parte da série Fräulein...



    Escrito por M&M às 21h07
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    O que vem a ser Grão Mogol

    Pra quem não entendeu a referência da Maria Antonieta:

    "...Rose Bertin, a costureira, ou modiste, como era chamada, era venerada por todas as mulheres da sociedade. Essa mulher do povo, que por um talento incomum havia sido elevada à categoria de suprema mestra da frivolidade (...) Mademoiselle Bertin, que tinha uma loja em Paris chamada Grão Mogol, vestia suntuosamente as atrizes, diversas burguesas proeminentes e as mais belas mulheres da corte. (...) Vendia também peças prontas: grandes chapéus, enfeitados com flores ou penas, mantilhas, peles, echarpes, gravatas, lenços de seda, fichus de gaze, agasalhos de pele para as mãos, leques, cintos, luvas, sapatos, chinelos bordados e milhares de outras miudezas. Era impossível sair do Grão Mogol sem levar alguma coisa. (...) Naquele verão, Maria Antonieta se tornou a maior freguesa da Grão Mogol."

    Evelyne Levfer em Maria Antonieta, a última rainha da França

    Sinal que mademoiselle Bertin entendia tanto de haute couture quanto de prêt-à-porter e, em se tratando de loja branchée, a Colette tem suas raízes pré-Revolução Francesa. 

    Abaixo, um still de Barry Lyndon, meu filme "mais bem vestido" favorito. A personagem de Marisa Berenson (na carruagem, com o Barry de Ryan O'Neill), condessa de Lyndon, com certeza devia ser cliente VIP da Grão Mogol  

     



    Escrito por M&M às 17h47
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    Soul II Souza

     

    Hoje remexi nos meus antigos vinis e CDs. Uma certa sensação de arqueologia: restos mortais, preciosidades, risco de desabamento, História (é, com H caixa alta mesmo) e muita poeira. Acabei pescando algumas coisas que não ouvia há tempos: Carly Simon's Hurt, The Best of Marianne Faithfull (mas um "best" anos 60), Roberto Carlos (1966 - com direito a Estou apaixonado por Você), Everything But The Girl's Eden, Barry Adamson (dou um doce se alguém souber quem é) mas, sobretudo, Soul II Soul Volume IV The Classic Singles 88-93.  

    E os classic singles não envelheceram nada. Mas realmente fiquei contente porque todas faixas me lembraram meu querido amigo Marquinhos, o DJ MS. Dia 7 serão dez anos que ele morreu. Acho muita graça ver o status que os DJs atingiram e pensar no quanto ele brigava para, pelo menos, ter um sound system decente pra tocar. Pelo que se publicou e ouvi falar do Skol Beats, essa briga continua. Em todo caso, Marquinhos era DJ 24 horas por dia e não tinha muito assunto fora música. Era meticuloso, perfeccionista e tinha um ouvido do outro mundo. Era dos poucos que sabia fazer um set sem que se notasse as passagens, emendas, a edição enfim. É como disse uma famosa editora de cinema em Hollywood certa vez: "A melhor edição é a que não se percebe". O som do Marquinhos era assim, smooth.

    Continuo ouvindo Soul II Soul enquanto escrevo: Keep on Movin, Get a Life, Joy, Fairplay e a deliciosa Jazzie's Groove. Foi Marquinhos quem me apresentou Soul II Soul. E gostava tanto do grupo que eu passei a chamar de Soul II Souza, porque o verdadeiro nome do DJ MS era Antonio Marco de Souza. Foi ele também, anos depois, quem me apresentou Massive Attack (Shara Nelson soulsinging Unfinished Simpathy em um single promo). Marquinhos era o mais up to date. Com certeza hoje estaria rindo do electro e seu hype jeca.

    Engraçado o que essa coisa toda de DJ virou, um mix de popstar com "salvação dos sem talento". Hoje, não importa onde ou que tipo de comemoração (de abertura de envelope a batizado de boneca) tem um DJ de plantão. Pode ser até alguém que só tem uma coleção de CDs "bacana", que baixou algumas coisas "muito iradas" na Internet, ou então alguém de grife... bem no truque. Preguiiiiça.

    Então é assim, inauguro meu Grão Mogol (meus mercis para a rainha sem cabeça Marie Antoinette) com um páragrafo para o Marquinhos. 

    Pra dizer que você faz falta e eu sinto saudade.

    Last night a DJ saved my life... with a song.   

     

    Ah, uma Marie Antoinette rápida no encerramento...  

     

     



    Escrito por M&M às 16h47
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