Excesso de sucesso, de mídia, de adoração, de bajulação, de talento, de aberração, de cirurgias plásticas, de substâncias químicas, de royalties, de dólares, de patrocinadores, de dívidas, de delírios, de problemas, de mentiras, de cosméticos, de brinquedos, de Elizabeth Taylor- Hollywood - Las Vegas, de mal entendidos, de especulações, de solidão, de desejos reprimidos, de prazeres proibidos, de parentes serpentes, de inveja galopante, de ritmos alucinantes, de vertigens, de genialidade.
Foi demais para um garoto só.
Já deve estar trocando receitas de maquiagem com Marilyn, ensinando Elvis como se faz o moonwalk e, como gentleman que se preza, desculpando-se com Farrah por tê-la varrido do noticiário. Claro que logo mais, à tarde, a princesa Diana receberá todos para um tea dance.
Bem que eu tentei me comportar. Mas foi beyond my control.
Em busca de notícias sobre os eventos da Semana GHB, oops... GLBTHYZ, acabei no site A Capa (aliás, nota zero em cobertura para os blogayros e sites do segmento - francamente, seu Mix Brasil...). Entre as chamadas da home me chamou a atenção um certo desfile de moda realizado no clube Danger ("Be afraid, be very afraid"). O texto da cobertura chega até a ser comovente em sua ingenuidade tosca (pronto, tucanei "ignorância"), contando sobre a apresentação da coleção outono/inverno da Ana Dumont Multimarcas (entre elas a fashioníssima Dzarm). Mas as foteeenhas... Oh, my God!
Olha só:
Ana Dumont, I presume
E a presença de ilustres fashionistas
Para apreciar melhor o babado fashion beesha, com todo seu glamour, charme e veneno, clique aqui. Mas depois não diga que eu não avisei.
Veja mais pataquadas fashion no post de hoje do blog do Vitor Angelo, Dus Infernus.
Em semana de Parada Gay não pude deixar de lembrar da Millie Tant, a personagem acima, da revista britânica de humor Viz.
Porém, antes que alguém me acuse de homofobia, aviso que já me inscrevi para o seminário de formação ("deformação"?) Lesbianidades e Feminismos. Olha só a programação:
Manhã Dinâmica do abraço Exposições e debates Convidadas: Regina Facchini (Unicamp), Lúcia Xavier (Criola/RJ), Lurdinha Rodrigues (LBL)
Esta semana corro o sério risco de ficar sem assunto nas rodinhas hype da cidade. Nenhum dos acontecimentos que sacodem os próximos dias (e deixam o povo que se considera bacana agitado) me interessam. Como já disse em outras ocasiões, semanas de moda me entediam profundamente. Semanas de moda que não dizem a que vieram, não têm o que mostrar ou estão com prazo de validade vencido, entenda-se. Também não vejo roda nenhuma na baiana da Semana da Parada. Então, todo esse papo de tendência da temporada e festas GLBTHXPTO não rende bilheteria por aqui. Deixemos tudo a cargo dos recém-chegados.
Em compesação, não tem como fugir da diversão quando vemos algum mico ou chanchada escancarada nos eventos acima citados. Assim, se eu pescar alguma coisa digna de nota - ou, no mínimo, de uma gargalhada - ou que me deixe speechless (não, ainda não me recuperei da coleção da oNONONONONONONONONONO) apareço por aqui e posto quelque chose.
No mais, estarei na contramão do estilo (tentei acompanhar a cobertura GNT Fashion do Fashion Rio e foi ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ) e da festa da diversidade (diversões divertidas?). Ou seja, longe do insensato mundo.
De uma chupada até aquela canção do Roberto (e um susto na Casa das Criaturas)
Pois é, o picolé acima foi ideia de algum gaiato na Europa para quem quiser dar uma chupada... no Daniel Craig. HAHAHAHAHAHAHAHA! O confeito tem a forma do torso do ator inglês e atual James Bond. Quem se habilita?
Mas o que marcou mesmo minha semana (claro que não preciso falar do acidente com o airbus da Air France) foi o show Elas Cantam Roberto, exibido no último domingo pela Rede Globo. Na verdade, desdenhei um pouco o evento quando, na semana passada, amigas estavam eufóricas escolhendo o modelito (adorei saber que este termo é considerado cafona por quem fala "absurdinho" e "coreô" HAHAHAHAHAHA) para a noite de grande gala em homenagem ao 50 anos da carreira do Rei, no Teatro Municipal paulistano (mind you que eu tava nascendo e ele já tava na estrada!). Depois li um post no blog da Joyce Pascowitch repercutindo o espetáculo. Confesso que senti ter perdido o lance ao vivo e em cores, porque afinal Rei é Rei, né?
Daí, não pude perder Elas Cantam na tevê. ADOREI! Até a Ana Carolina, que não é da minha turma, eu achei bacana, bonita e elegante. Claro que houve deslizes - e se não tivesse eu não teria gostado tanto, afinal. Por exemplo, faço eco com o Tony Goes dizendo que faltaram Bethânia, Gal e Marisa Monte. Mas o trio deve ter tido lá suas razões. Fiquei indignado com o modelito da Daniela Mercury (sim, era um "modelito" HAHAHAHAHA), que como diz um amigo "é cafona de alma". E tive vontade de dar uns tapas na Marília Pêra cuja interpretação de 150, 200, 300 Kmpor Hora beirou o histeria e o achincalhe. Era o caso de dizer: "Menos, gata, menos".
Por outro lado, adorei Rosemary vestida de Jessica Rabbit. E Wanderlea de mini e botinha (ela pode, senão não seria a Ternurinha). E Nana Caymmi. E Fernanda Abreu. E as Possi, Zizi & Luiza, com braceletes de dar taquicardia em muita dondoca amante de quilates. Mas paguei pau mesmo pra Hebe Camargo. Justo na emissora rival de seu eterno sofá, a loiruda simplesmente quebrou tudo. Isso é o que eu chamo de "arrombar a festa".
Pena não termos visto a performance de Mart'nália e não, eu não gosto de Sandy - lovely e linda, mas tão sem sal.
Ah, teve Alcione, a Marrom. Seu "Meu bem, MEU BEEEEM!" era pra soar jazzy mas saiu quazzy. Em todo caso, ela tem peso. E como.
Palmas pra elas que elas merecem.
Agora, pra mim, "aquela" canção do Roberto é esta:
Já num outro registro, o fashion, acompanhei a cobertura on line da Casa de Criadores, o evento que abre mais uma temporada brasileira de moda. Não comento nenhum show porque não estou on dutty. Porém, quedei speechless diante disso:
Se era para magoar a gente, PA-RA-BÉNS! "Levem-nos ao seu lider!": era essa a mensagem?
Ontem o canal a cabo TCM exibiu um de meus filmes favoritos Warriors, os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979). Produção classe B da Paramount Pictures, concebida e lançada dentro do gênero exploitation: baixo orçamento + tema "social" contundente + tratamento sensacionalista = lucro imediato, porém limitado. Nada mais. Acontece que Warriors, dirigido por Walter Hill, bombou nas bilheterias já no primeiro fim de semana (em fevereiro de 1979), eclipsando produções milionárias e se tornando um dos mais vistos naquele ano. De quebra, virou cult, influenciou a estética cinematográfica da época e a moda de gerações futuras. Alguns se arriscam a apontá-lo como primeiro exemplo da cultura hip-hop no cinema (há uma misteriosa DJ de programa de rádio, com voz aveludada e lábios vermelhos, oferecdendo canções pop aos Guerreiros enquanto eles fogem noite a dentro). Mais tarde serviu de base para games de sucesso e, como pude conferir passeando pelos blogs da vida, 30 anos depois mantém-se hit entre a garotada. Em uma palavra: CLÁSSICO.
Os Guerreiros são uma gangue de jovens de Coney Island participando de uma reunião de gangues em parque no Bronx onde Cyrus, o master líder desses bandos, incita todos a se unirem e tomar o poder na cidade de Nova York. Só que no meio do discurso, o bambambã leva um tiro à queima roupa. Injustamente acusados pelo crime, os Guerreiros têm de atravessar toda a ilha de Manhattan, pelas ruas e de metrô, até alacançarem a segurança de seu próprio território. Detalhe: TODAS as gangues da cidade estão em seu encalço. E tome confusão, correria e muita porrada até o desfecho da trama.
Os Selvagens da Noite é kitsch, exagerado e francamente hilário em algumas partes. Mas também tenso, eletrizante, bem dirigido, cheio de desempenhos sinceros e cativantes (o elenco é composto por jovens atores desconhecidos na época, escalados nos palcos da Broadway, já que as filmagens foram rodadas em Nova York). A violência é estilizada e as lutas coreografadas, com efeitos de câmera lenta, são como uma dança agressiva e viril que cola em nossas retinas. Nos 88 minutos de duração há apenas um vislumbre de sangue - nos lábios de um rapaz que apanha da polícia - mas temos a sensação de ter visto cortes de faca, ferimentos de bala, rostos desfigurados por socos e porretes.
Como todo cult que se preza, a mitologia em torno do filme floresceu ao longo do tempo. Nas comemorações dos 25 anos de seu lançamento, o diretor Walter Hill contou em entrevistas alguns dos fatos:
- Esperava que as sequências de luta fossem encaradas como pastelão (as platéias até hoje levam tudo a sério).
- Calcou a jornada dos Guerreiros por Manhattan nas fábulas de heróis da mitologia grega.
- A certa altura o líder da gangue, Swan (Michael Beck, que depois estrelou Xanadu e sumiu do mapa) era raptado por uma gangue gay, da qual fazia parte o jovem Kevin Bacon, mas ficou tudo no chão da sala de edição.
- Os Guerreiros do roteiro original eram uma gangue de garotos negros, mas a Paramount vetou a ideia.
- Nas locações pelas ruas de Nova York, houve problemas com a polícia, com as gangues de verdade e com uma multidão que insistia em acompanhar a equipe mesmo às quatro da manhã sob um frio de rachar.
Fiquei sabendo que há uma refilmagem a caminho, dirigida pelo inglês Tony Scott, com a ação transferida para Los Angeles e estreia marcada para o verão de 2010. Mesmo com a parafernália digital, não acredito que será páreo para o charme do original.
Porém, o que toda uma multidão de fãs brasileiros adora é o que a dublagem faz com seu filme favorito ao ser exibido na tevê. Dá só uma olhada:
O ator esganiçado é Ned Patrick Kelly, hoje frequentador do elenco de séries como Law & Order e Gossip Girls.
No último domingo fiz uma coisa que não fazia há muito tempo: comprei uma revista só pela capa. Simplesmente não me preocupei em conferir o conteúdo quando vi Keanu Reeves estampado na atual edição da Vogue Hommes International. OK, você vai dizer que ele anda em baixa sem emplacar qualquer coisa que preste desde a trilogia Matrix (o remake O Dia Que a Terra Parou foi um tremendo fiasco), porém simplesmente não resisto a mr. Reeves (leia aqui post sobre meu último favorito de Keanu, Constantine).
É o seguinte, Vogue Hommes International - editada por Olivier Lalane - não decepciona. Mesmo. Dedicada à moda primavera/verão 2009, tem como tema "Sex Symbols" e, mesmo não sendo uma revista gay (a conservadora Condé Nast não assumiria isso), revela-se uma lição no gênero para publicações aspirantes (se observarmos os títulos gays tupiniquins, todos se pretendem ter alguma coisa a ver como moda e estilo). Então, além da matéria de capa com mr. Reeves falando a Sabrina Chapenois e clicado por Amanda de Cadenet (starlet inglesa de projeção local agora transformada em fotógrafa e auto-intitulada "melhor amiga de Keanu Reeves"), temos um portfólio de sex symbols assinado por Bruce Weber (de Robert Mitchun a Louis Garrel, pasando por Rickson Gracie), um olhar sobre os modelos masculinos dos anos 90 (Mark Vanderloo, Werner Schreyer etc), entrevista com o escritor Bret Easton Ellis (Abaixo de Zero e Psicopata Americano) e muita informação pop: você sabia que Jon Hamm, da série Mad Men é ícone fashion do momento? Ou que Daniel Craig será o imperador romano Adriano na adaptação cinematográfica das Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar?
Aí, surge a moda com editoriais mostrando uma seleção de roupas pink (segundo a revista, homens não têm mais medo de usar rosa... hmmmm, sei), o blue jeans como melhor moldura sexy, abusados retratos de moda by Mario Sorrenti, estilo casual vestido por um modelão inglês de nome Paul Sculfor que é sexy de doer os dentes e relógios fotografados por Terry Richardson, naquela histeria vulgarete que só ele sabe fazer. Ainda bem (eu NÃO gosto de Terry Richardson). Mas o editorial que mais gostei foi este...
... fotografado por Patrick Demarchelier com styling de Carine Roitfeld (confesso gostar cada vez mais dessa moça). Peças pescadas nas coleções masculinas da temporada e interpretadas à maneira grunge com kilts de Jean Paul Gaultier. Atenção para as unhas pintadas de preto. Um primoroso trabalho de styling.
Agora leio na edição deste mês de Vanity Fair artigo do jornalista James Wolcott exaltando a Nova York dos anos 70. Assumidamente nostálgico, Wolcott fala da cidade falida, suja e violenta que produziu um momento único determinado pelo zeitgeist daquele momento. "Se Nova York tivese sucumbido à anarquia devastadora dos anos 70, como alguns temiam, teria sido assim tão ruim? O autor relembra um tempo quando lofts de artistas eram habitados por verdadeiros artistas, cada vagão do metrô carregava um drama em potencial e lendas - como Lennon, Warhol e Garbo - caminhavam pelas ruas", diz o olho do artigo. A seguir, somos conduzidos por uma cidade onde os turistas davam graças a Deus por voltarem ao hotel sãos e salvos, e os melhores retratos dessa perplexidade chamavam-se Operação França, Taxi Driver, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, À Procura de Mr. Goodbar e Parceiros da Noite. Em nota de humor cínico, ele diz que o mundo teve passar por tudo isso até estar pronto para... Madonna.
Apesar de mirrada - mais por ser a edição de verão do que pela crise - VF também traz mais uma devassa investigativa do caso Bernie Madoff - o homem cujo golpe estilo pirâmide fez desaparecer US$ 60 bilhões de seus investidores, provocando uma quebradeira épica e deixando muita gente que economizou a vida inteira apenas com as roupas do corpo. Dessa vez é a secretária, que trabalhou com ele por 25 anos, quem dá o serviço. Estou com uma fixação mórbida sobre esse caso.
Enquanto isso, descubro que será lançado em julho o Guia Time Out São Paulo. Já era tempo da editora que publica os guias mais sacudidos do planeta se debruçar sobre nossa cidade. É possível encomendá-lo pela Amazon. Aguardo ansioso.
Largo Paissandu, SP, quando a população não precisava "se virar" para ir ao centro
Hoje tem mais uma Virada Cultural em São Paulo. OK, é uma iniciativa de sucesso e traz o povo normalmente temeroso dos perigos urbanos para o centro da cidade. Agora, se o cidadão comum precisa de incentivo e autorização para trafegar em certo trecho - na verdade o coração - de sua própria metrópole, algo vai muito mal. Não seria o caso de haver mais de uma edição do evento? Também não seria o caso de haver uma política realmente eficaz de ocupação de um espaço que é nosso e foi completamente abandonado e esquecido por todos?
Entenda bem, nada contra a Virada, mas é tão qualquer nota ver as pessoas se deslocando para as várias atrações do programa - e mais tarde comentando - como se tivesse tido a chance de participar de um desses documentários sobre a vida animal. Acho muito cafona. Fica todo mundo o tempo todo fechado dentro de shopping ou, no máximo, dando uma volta na Oscar Freire no fim de semana (certa vez ouvi de um rapaz bem jovem: "Ah, você acha que eu, do povão, posso andar pela Oscar Freire?"). Acho triste.
Lembro de criança, o footing de fim de semana pelas ruas do centro. Ir aos cines Metro, Ipiranga e Paissandu (os três mais elegantes da época), comer na Salada Paulista (na Av. Ipiranga) e no Gato Que Ri (Largo do Arouche), doces na Dulca (Galeria Olido) ou Cristallo (Vieira de Carvalho), o bauru do Ponto Chic (Largo Paissandu). Havia os Concertos Matinais aos domingos no Teatro Municipal e a gente ficava impressionado com a imponência do Edifício Martinelli (Av. São João), naquele tempo em franca decadência, rumo ao favelão que se tornou mais tarde onde nem a polícia tinha coragem de entrar. Sempre havia as decorações de Natal das vitrines do Mappin (em frente ao Municipal) e da Clipper (Largo Santa Cecília).
Uma década depois, no meu primeiro emprego, como office-boy (como os filhos da classé média entravam no mercado de trabalho ainda estudantes, em uma época pré-motoboy), adorava me perder pelas ruas do centro entre compromissos em repartições públicas, ficando por dentro do que rolava na cidade e no mundo. Via os cartazes das pornochanchadas nos cines Olido e Marabá (Vera Fischer e Helena Ramos estrelíssimas, David Cardoso o poderoso garanhão), me atualizava folheando as revistas importadas - então caríssimas para o modesto orçamento de um adolescente - na Siciliano (Rua Dom José de Barros) e Agência Look (no Conjunto Zarvos, Av. São Luiz), comia cachorro quente no Largo do Café e depois traçava uma Banana Split nas Lojas Americanas (Rua Direita), comprava a prestação modelitos da hora na Peter's (Conselheiro Crispiniano, ao lado do cine Marrocos) ou o terno da formatura na Ducal (Rua São Bento) ou na Casa José Silva (Barão de Itapetininga), comprava discos na Breno Rossi (24 de Maio). Para trabalhos de escola, ia à Biblioteca Mario de Andrade (Xavier de Toledo) e ao arquivo de O Estado de S. Paulo (Martins Fontes). Quando tinha que ir um pouco mais longe, até a Junta Comercial do Estado de São Paulo, na Rua Maria Antonia, achava o máximo andar pela Boca do Luxo (Major Sertório e adjacências) vendo as fachadas das boates com suas promessas de prazeres proibidos (havia uma chamada Concorde, a Supersônica) com as meninas já à tarde fazendo a vida - e uns poucos travestis abusados (ali perto, o Arouche e a Vieira de Carvalho foram os primeiros points gay). Enfim, São Paulo era o centro e o centro ERA a cidade (hoje acho engraçado minha mãe perguntar "Vai pra cidade?").
Nos anos 80, o Centro para a nossa turma virou as lojas de discos nas galerias da Barão de Itapetininga (Wop-Bop e Bossa Nova), o velho Brahma (implico com sua atual encarnação Vila Olímpia/Madalena), o Almanara da Basilio de Gama (ainda está lá, firme e forte), o Terraço Itália (comemorei um aniversário no chá da tarde de sábado), a moda na Jean Daniel (Barão de Itapetininga, talk about fast fashion...) e na Mesbla (Dom José de Barros), a balada do HS (atual Bailão) e o Val Improviso (debaixo do Minhocão, com direito a briga de travestis e batida policial). Nessa época, eu mesmo morei por lá, na Marquês de Itu com Amaral Gurgel. Respirava a fumaça dos automóveis que passavam no Minhocão e era muito, muito feliz.
Talvez, por tudo isso, não vou na Virada Cultural. Afinal, o centro é meu e está sempre a postos quando preciso dele (ultimamente tenho ido jantar no Chopp Escuro - Marquês de Itu - e me divertido um monte). Ah, tenho ojeriza à Praça Roosevelt ocupada pelos Satyros.
Mas pra quem não sabe nem viu nada disso, boa Virada!
"Não sou conduzido, conduzo!"
PS: Hoje este blog completa 5 anos. Mesmo assim, ainda não cheguei aos 100 mil acessos. Decididamente não sou popular. Ainda bem. Parabéns pra mim!
Nunca aprendi a dirigir, portanto nunca tive um automóvel na vida. Também nunca passei aperto por conta disso e conheço São Paulo melhor que muito motorizado da vida inteira (me desloco pela cidade sem maiores dramas, evitando horários de pico e abusando das rotas alternativas. Alguns amigos andam me chamando de GPS).
Pois não é que agora, quando todo mundo está preocupado com outros tipos de transporte por conta do caos urbano e do meio ambiente, eu me pego com vontade de sair por aí dirigindo pelas ruas da vida? Claro que como ser fútil e deslumbrado que sou, a chegada no mercado do Smart (pelo qual me apaixonei durante uma escala em Londres há três anos) e do Mini (aquele do Mr. Bean) tem muito a ver com esse estranho desejo. Ao mesmo tempo, como sou o mais preguiçoso e indisciplinado da galáxia, tá faltando uma certa iniciativa para acionar a auto-escola, fazer aulas, prestar exame e conseguir a carta de habilitação (esse objeto de desejo que a garotada de 18 anos almeja tanto quanto os Cruzados buscavam o Santo Graal). Mas, nos próximos dias periga de este que vos fala partir para este novo desafio (adoro receber aqueles e-mails do povo que se desliga da empresa alegando estar "em busca de novos desafios").
Não, eu não fui na festa de lançamento do Mini. Mas não resisti e, anteontem, entrei num Smart em exposição no Shopping Iguatemi - confesso ter achado muito mais interessante a recém-aberta loja do Christian Louboutin, logo em frente.
Bicicleta? Nem pensar. Não quero acabar debaixo de um ônibus ou chegar todo desabado no trabalho ou em qualquer outro compromisso.
Espero que não seja mais um fogo de palha daqueles que a gente deita e a vontade passa. Portanto, perseverarei (credo! que palavra é essa?)
Pra ter fonfom...
PS: Não, eu não to com medo da gripe suína (quer dizer, só um pouquinho...). Mas vejo os hipocondríacos de plantão salivando diante de cada nova notícia sobre a pandemia. A morbidez das pessoas tem me assustado muito mais do que qualquer ameaça de cataclisma.E, por favor, não me fale em Susan Boyle...
Gosto particularmente desta imagem de moda clicada por Otto Stupakoff em uma rua de Nova York em algum ponto dos anos 70. Ela de vestido drapeado abaixo dos joelhos e sapatos boneca (os anos 30 revisitados na época). Repare no terno calça boca de sino e o cabelo carneirinho do moço. Sobretudo, a situação de romance "beijo roubado no meio da tarde". Um instantâneo elegante, discreto e eficiente. Era assim o trabalho do fotógrafo brasileiro que foi pioneiro da moderna fotografia de moda no Brasil e tinha livre trânsito na imprensa internacional, principalmente nos EUA, onde passou boa parte da vida (Ruy Castro o cita na biografia Carmen, como jovem protegé da Brazilian Bombshell nos anos 50). Ele morreu hoje em São Paulo, aos 73 anos, de insuficiência cardíaca.
Esbarrei algumas vezes no homem ao longo desses anos de jornalismo, infelizmente nunca tive oportunidade de trabalhar com ele. Acho que a gente teria se entendido. E eu, aprendido muito.
Mas Sttupakoff não era apenas moda, também foi grande retratista, além de ter o olhar do fotojornalismo em seus registros de viagem. Abaixo, um Tom Jobim bem jovem e mais Bossa Nova do que nunca segundo Otto Stupakoff.
Descobri hoje, via blog do Inácio Araujo, sobre a morte esta semana de outro ícone do cinema pornô: Marilyn Chambers (acima). Ela estava com 56 anos e foi encontrada morta, na noite do último domingo, pela filha de 17 anos em sua casa num subúrbio perto de Los Angeles. Até agora não se determinou a causa mortis, mas por se tratar de acontecimento ligado ao mundo da pornografia existem as suspeitas de sempre: overdose, assassinato ou suicídio.
Ao modo da indústria pornô, esta Marilyn foi tão superstar quanto a outra que conhecemos. No início dos anos 70 deixou a carreira legítima de modelo e atriz - depois de uma pequena participação no filme de Barbra Streisend, O Corujão e a Gatinha - para se aventurar no ramo do entretenimento adulto que na época começava a sair da clandestinidade, com investimentos na produção, roteiro e - acredite - atuações. Tempos depois, já famosa, Marilyn declarou ter optado pelos filmes explícitos por entender que o gênero era a nova e formidável fronteira aberta para o cinema pela revolução sexual e, para ela, seria o máximo tornar-se uma estrela e uma pioneira. Declarou também ter descoberto rapidinho que não era nada disso. Em todo caso, estrelou o sucesso de bilheteria pornô Por Trás da Porta Verde (Behind the Green Door, 1972) que junto com a mais conhecida obra do gênero, Garganta Profunda, lançado no mesmo ano, colocou a pornografia na cultura pop. O filme tem a ver com uma garota sequestrada e oferecida como delicioso repasto para um grupo de frequentadores de um sex club de luxo - o tal situado atrás da porta verde. A trama é exatamente a garota sendo preparada para o show no clube que, claro, degenera em uma grande orgia (entre outras atividades há o desempenho de uma incrível mulher gorda). Por Trás da Porta Verde sempre me vem à mente quando vejo a sequência do clube de orgias em De Olhos Bem Fechados (1999), de Stanley Kubrick.
Além do filme ter sido um arraso de público, seus produtores os irmãos Jim e Artie Mitchell (nos anos 90 um deles foi assassinado pelo outro) exploraram muito o fato de Marilyn, antes da pornografia, ter sido a garota estampada na embalagem do sabão em pó Ivory Snow (segurando um bebê fofinho) ao lado do selo de qualidade que garantia ser o produto 99% puro, livre de substâncias tóxicas. Um pacote de Ivory Snow até aparece em cena, displicentemente, assim como quem não quer nada.
Depois disso, Marilyn foi de sucesso em sucesso até declarar aposentadoria do negócio. Queria voltar à carreira de atriz não explícita. Voltou, em Enraivecida (Rabid, 1977) fita de terror classe B do diretor David Cronemberg - de posteriores obras de prestígio como Videodrome, Gêmeos - Mórbida Semelhança e A Mosca. Mas, em 1980 retornava ao erotismo com Insatiable, ao lado de outra lenda pornô, o superdotado John Holmes, cuja trajetória serviu de base para o roteiro do sensacional Boogie Nights (1997). No final do filme, após uma longuíssima suruba, a câmera registra uma Marilyn descomposta em close up, implorando: "More, more, more!".
Teve mais, claro, e ela declarou ter passado os vinte e poucos anos seguintes alternando entre o pornô e o cinema legítimo. Jamais se arrependeu ou se desculpou por ter feito sexo diante das câmera porque, afinal, "era um prazer". Segundo os sites de dados cinematográficos, seu último filme foi um pornô rodado há poucos anos intitulado Porndogs: The Adventures of Sadie, com outra lenda do gênero, o gorducho bonachão Ron Jeremy - um que também nunca se envergonhou por trabalhar no ramo "adulto".
Devo dizer que sempre admirei as pioneiras pornô: Linda Lovelace, Georgina Spelvin e a própria Marilyn. Porém minhas favoritas são outras: Constance Money e, sobretudo Annette Haven. Miss Money é a estrela de The Opening of Misty Beethoven (1975), agradável e curiosa mistura de sexo, humor e cinema verité. Já miss Haven, sempre belíssima, põe todas as outras no chinelo em títulos como Obsessed Anna (1977, com Constance Money) e A Coming of Angels (1979) - tenho certeza que ela foi a inspiração para o personagem de Julianne Moore em Boogie Nights.
Costumo dizer que não sou jornalista e sim "revisteiro" já que passei a maior parte da minha vida profissional fazendo revistas (com apenas dois anos a serviço da Folha de S.Paulo). Passei por Interview (primeiro a original, versão brasileira da Andy Warhol's Interview, mais tarde pela versão já totalmente tropicalizada e, posso afirmar, nosso primeiro veículo especializado em celebridades), Vogue, IstoÉ, Elle, Sexy e, hoje, o setor de custom publishing da Trip Editora. Não é pouca porcaria. Por isso, não me faço de rogado em opinar quando vejo um novo produto no mercado. Já falei aqui tanto de títulos surgidos durante o aquecimento do segmento gay ("Xunior", DOM e Aimé - outro dia vi a tal A Capa e, sinceramente, não precisa ser comentada), quanto revistas de interesse geral, como Piauí, Rolling Stone e Joyce Pascowitch. Além de ter comentado edições de Vanity Fair (minha favorita), GQ e até lembrar a falecida After Dark.
Num post anterior manifestei perplexidade diante do lançamento de Gudi, título que se pretende de arte, moda e comportamento. Recebi vários comentários alinhados com a minha opinião, o que foi uma grata surpresa - afinal, parece, não sou o único entediado com propostas mirabolantes que no final entregam muito pouco do que o divulgado. O leitor Tommie Carioca me perguntou como eu acho que o budget usado para fazer Gudi poderia ser melhor utilizado. Dei uma resposta longa para depois ver que tudo se resume em "mais resultados e menos pretensão". Ou seja, não uma tola aventura editorial, mas um produto de verdade. OK, parece simples, mas não é. Uma revsita de verdade exige uma equipe afinada entre conteúdo editorial, direção de arte, produção executiva e publicidade, além da pós produção que envolve secretaria gráfica e impressão. Dá trabalho e custa caro (um investimento que leva certo tempo para dar retorno). Mais do que tudo, é preciso saber quem é "o tal leitor" e conhecer o mercado. Numa época de mídias digitais, começa a parecer estranho se apostar em revistas tal qual as conhecemos. Há novos formatos a serem explorados.
Eu mesmo ando pensando em algumas possibilidades, porém mais não digo. Porque não sou tatu.
Fico sabendo da morte, esta semana nos EUA, de Jack Wrangler, ícone do cinema pornô americano. Ele estava com 62 anos e sofria de câncer no pulmão. Devo dizer que mr. Wrangler faz parte da minha iniciação sexual no final dos anos 70, quando entrei em contato com a produção pornô gay da época, com filmes ainda rodados em película e feitos para serem exibidos em cinema, pouco antes da transição para o vídeo - considerada a era de ouro do gênero. Neste universo ainda bastante underground - o segmento gay não havia sido absorvido pelo mainstream como acontecera com o pornô hétero depois de marcos como Garaganta Profunda e Atrás da Porta Verde - Jack Wrangler era um dos astros do nicho, ao lado de nomes como Casey Donovan, Dick Fisk, Clint Lockner e Al Parker. Era de longe o meu favorito. Vi vários de seus filmes como Heavy Equipment (1977), Navy Blue e Killing Me Softly (1979), Wanted (1980) mas, sobretudo a trilogia Cage (leia mais aqui) - aliás, de onde acho que é a foto acima (na versão da trilogia que circula em DVD está cortada uma polêmica sequência entre ele e o barbudão Lockner envolvendo "water sports").
Depois Wrangler passou para o pornô hétero, mais tarde se tornou produtor teatral e se casou com a cantora Margaret Whiting, 22 anos mais velha que ele (nas fotos do casal ela parece ter sido um sapatão e tanto). Também escreveu uma autobiografia e foi motivo de um documentário Wrangler: Anatomy of an Icon, que eu ainda não vi, mas vou procurar.