Grão Mogol by Marioh
   Mais Dercy

Triste ver como a nova geração não tem a menor idéia de quem foi Dercy Gonçalves além do expediente rápido e rasteiro da "velha que falava palavrão". Vejo isso espalhado não só pelas opiniões ouvidas aqui e ali, como também pela blogsfera (essa babel vulgar e convencida) e até no noticiário oficial (acusam Dercy de ser "antiga e preconceituosa" da mesma maneira que lamentavam Jorginho Guinle pelo fato de "nunca ter trabalhado na vida"). Visões estreitas e mesquinhas, para não dizer ignorantes. Enfim, conhecimento de causa e perspectiva histórica não fazem mal a ninguém antes de emitir qualquer opinião. Mas essas coisas, parecem, não costumam pegar bem ultimamente, quanto todo mundo acha até bacana não saber absolutamente nada porque, afinal, "não precisa". 

Lembrei também de outras pérolas by Dercy: 

"Agora todo mundo gosta de mim. Até a polícia." (em um dos aniversários de sua nona década, admirada com uma homenagem vinda da velha inimiga que a perseguiu durante mais de quatro décadas)

"Uma vez fui traída. Fui trocada por uma bailarina. É, mas não era bailarina chumbrega, não. Era bailarina clássica. Dessas que esticam as pernas e escostam a xereca no chão". (em um dos muitos espetáculos onde contava sua vida)

"Falaram que eu não gosto desse novo papa. Mentira. Eu gosto do papa, principalmente quando ele está com aquelas roupas bem enfeitadas, parecendo o Clóvis Bornay" (sobre o papa Bento XVI)

Xô, perereca!   



Escrito por Marioh às 17h51
[] [envie esta mensagem] []


 
   Glória nacional

Dercy Gonçalves se foi no último sábado (19/07) aos 101 anos - 103 segundo a própria. É o século XX se despedindo através do passamento dos luminares que representaram o jeito de ser e pensar da época.

Para mim, Dercy é uma das primeiras lembranças de infância quando ela, já então uma senhora quase sexagenária, era estrela absoluta dos programas humorísticos da TV Excelsior (para sintonizar girava-se o seletor de canais até o número 9 - atual Rede TV). Toda quinta-feira, num programa chamado, se não me engano, Vovô Deville, entrava a Dercy em cena em algum sketch que eu não entendia bulhufas do enredo, mas ria que me acabava com a impagável cantiga A Perereca da Vizinha (anos depois, em uma entrevista no Roda Viva, Dercy contou que a música foi um improviso, feito num dia depois de enfrentar uma longa sessão de psicanálise - ela era adepta da prática). Meu pai não gostava muito que minha irmã e eu assistíssemos o programa da Dercy. "Essa velha desbocada é um atraso", reclamava. Mas não proibia. Então a gente se divertia. Desde então virei fã. E cada vez mais fui vendo que a atriz era puro reflexo do Brasil povão, popularesco, debochado e mambembe ("Sou mambembeira", declarava Dercy, com muito orgulho).

Fã declarado da atriz, Paulo Francis, em um de seus textos para a Folha de S. Paulo, lembrou a estréia de Dercy numa peça legítima nos anos 50 (até aquele momento, era marginalizada por seus pares devido ao estilo francamente chanchadeiro e performático - era uma show woman, antes de qualquer coisa). O teatro era em São Paulo e, na peça, Dercy fazia a mãe pobre que trabalha como faxineira num bordel para pagar os estudos do filho num colégio interno de primeira linha. Segundo Francis, toda a inteligentsia da época estava presente - além da classe teatral (era o grande momento do TBC), jornalistas e intelectuais - para ver Dercy tropeçar nas falas e se esborrachar no palco. Começa o espetáculo e a tensão só faz aumentar. Dercy se segurando para obedecer o texto e a platéia esperando pela inevitável catástrofe. A certa altura, quando a personagem recebe a visita de alguém lhe trazendo notícias do filho, ela pergunta se ele é bom aluno. O interlocutor responde que o menino é ótimo aluno, vai muito bem no inglês, inclusive, sempre cumprimentando a todos com um "good morning", um "how do you do?". Foi demais para Dercy. Ela olhou em volta, respirou fundo, fez cara de menina sapeca e sapecou: "Cu de quem?". O teatro veio abaixo e ela terminou a noite vitoriosa.

Era essa a faísca de gênio que fazia Dercy ser tão amada pelo povão e admirada pela elite. Ela era autêntica. Ponto. Vi Dercy em cena várias vezes e o script era sempre o mesmo, contando suas aventuras e desventuras desde que fugiu de casa, em Madalena, em 1924, até se tornar uma artista de sucesso. Mas o jeito como ela contava tudo era a sua pedra de toque - subindo ou descendo no escracho e na quantidade de palavrões de acordo com a pulsação da platéia. Mantinha todo mundo na palma da mão. Quantos artistas conseguiram isso?

Estive frente a frente com o mito uma única vez, há dez anos, num evento de lançamento de alguma coleção de moda num show room armado no hotel Sheraton, no Rio. Conversamos, rimos muito, claro, e ela ficou encantada com o ator Carlos Casagrande. "Puta que o pariu, que homem bonito. Mas é viado, não?", comentou. Apesar de dizer que não se interessava por sexo e não ter tido grandes casos de amor, Dercy adorava rapazes bonitos.

A seguir alguns hi-lites de Dercy Gonçalves que cito de memória (pode não ter sido exatamente assim, mas o estilo Dercy está intacto, garanto):

"Tive uma tuberculose e três maridos. Me curei dos quatro" (entrevista para revista Cláudia, nos anos 70)

"Fiz meu túmulo lá em Madalena. Uma pirâmide. Só eu e o faraó. Te digo mais, vou virar milagrosa, viu?" (para Marília Gabriela, em entrevista no SBT)

"É verdade, era uma LACUNA!" (no filme Dona Violante Miranda, de 1960, respondendo à pergunta "quem preencherá esta lacuna?", feita por um frequentador de bordel, no discurso de despedida de uma das "meninas" que vai se casar e deixar a vida)

"Sim, conheci o Walter Mercado, em Miami. Estava num restaurante e chegou aquela pessoa loira, com uma capa de seda, cheia de jóias, toda perfumada. Pensei que era a Hebe!" (no programa Amaury Junior)

"Hebe, já pensou nós duas, fanchas?" (no programa da Hebe, em uma das muitas discussões sobre homossexualismo)

"Minha filha, Dercimar, é muito católica. Ela vive querendo me levar na igreja. Diz 'vamos lá, mamãe, você acende uma vela'. Eu digo 'pra que? Daqui a pouco eu entrego pessoalmente'." (em alguma entrevista recente)

"É travesti?" (como a rainha mãe de Que Rei Sou Eu?, quando apresentada para a personagem de Mila Moreira)

Hoje pela manhã, em um telejornal da Globo, a filha de Dercy justificou porque vai fazer uma grande festa amanhã, em Madalena, durante o funeral da mãe. "Quando eu era criança, ela encostou a testa na minha testa, olhou nos meus olhos e disse: 'Nós vamos ser felizes na porrada!'."

Merci, Dercy!



Escrito por Marioh às 16h29
[] [envie esta mensagem] []


 
   There's no place like home

Não tenho o hábito de comentar aqui acontecimentos cotidianos que dominam o noticiário e a blogsfera - alguns de maneira quase histérica, como o show da Madonna (ZZZZZZZZZZZZZZZ). Lembro de uma célebre passagem de Regina Guerreiro, em seus tempos de Vogue, respondendo a um novo assistente que avisava sobre uma sessão de fotos marcada para acontecer em pleno Carnaval: "Nós da revista Vogue estamos acima dessas manifestações populares" (mais la Guerreiro, impossível).

Por essas e outras, não falei nada sobre a tão comentada e polêmica (tenho medo desse termo, quase esvaziado de tanto que é usado equivocadamente e em vão) LEI SECA. E outra, não dirijo e nunca tive carro (uso e abuso do transporte público, enquanto ser urbanóide que sou). Também atravesso fase totalmente alcohol free (ordens médicas!!!!). Portanto, essa lei não altera em nada meu day by day.

Mas daí, li um texto no UOL e não resisti. Trata-se da reflexão do jornalista respónsável pela coluna Destaque GLS (hein?). Achei curioso o conteúdo que destila uma não disfarçada tentativa de revanche de quem - parece - nunca foi convidado para aquelas festas suuuuper bacanas lá dos anos 90 e não perdoou ninguém pela falseta. Seria cômico se não fosse triste. (leia aqui)

É preciso apatetar o mundo para os patetas, já dizia o velho homem de imprensa.

Enquanto isso...

 

CRÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉU!!!!



Escrito por Marioh às 17h57
[] [envie esta mensagem] []


 
   Piada mais que pronta

Não resisti publicar o release que recebemos hoje na redação. Claro que foi o divertimento do dia (mantive endereços e contatos. Caso interesse, se joga):

"Primeiro Arraiá do Prazer

Acontece no dia 24 de julho o evento que marca o diferencial da tradicional festa junina. Para tal feito a Exxclusive Productions, o programa Prive 89 FM e a DKT Prudence se uniram para conceber a primeira Festa Caipira Erótica do país. O Arraiá do Prazer será realizado na Secrett a partir das 21 horas, localizada na rua: Nova Cidade, 181 -
Vila Olímpia - São Paulo.
Atores e atrizes pornôs estarão presentes para abrilhantar esta folia típica que tem como objetivo elevar a libido dos presentes, tendo como foco levar erotismo e sensualidade a esta festividade trazida pelos portugueses na época colonial e acabou caindo no gosto dos brasileiros, por isso unimos o útil ao agradável no dia 24, já que o prazer é o forte das empresas supracitadas.
Contamos com barracas temáticas, brincadeiras sensuais, comidas típicas, shows, blits promocionais, distribuição de brindes e a presença de show ao vivo.
O evento conta com personalidades da tv, cinema e teatro tais como: A galera do Hermes & Renato, Angélica Castro, a ex-mercenária do funk Dani Lopes, o ex-BBB Rogério Dragone, Marcelo Mathias ex-Casa dos Artistas, o ator Fábio de Castro, Marcia Imperator, entre outros.
Presença de personalidades pornô Pamela Butt, Bella, Anita Ferrari, Mônica Mattos - a vencedora do Oscar Pornô Mundial, Victor Gaúcho, Carlão Bazuca dentre outros.
Como é de praxe não faltará brincadeiras típicas de festa junina como: Barraca do beijo, pescaria, argola, soft strip e as barraquinhas de comidas típicas.
E o mais esperado; a quadrilha mais sensual de todo o país com ilustres convidados. Em suma, trata-se de um evento que entrará para o calendário paulistano.
Por gentileza, caso desejam em cobrir o evento, favor responder e-mail com a quantidade de credenciais de imprensa necessárias.
Abraços
Rsvp:
_info@exxclusive.net_ <mailto:info@exxclusive.net>
Convites limitados a venda, garanta já o seu:
SECRETT - (11)3842-9669 / 8368-9809
Mahte Montero
Assessoria de Comunicação Exxclusive
Tel: (11) 5531 5610 - 7542 1681"
 



Escrito por Marioh às 20h42
[] [envie esta mensagem] []


 
   Gêmeos, mórbida semelhança

Eu ia escrever um post sobre a revista Aimé, que este mês traz os gêmeos Flávio e Gustavo (acima) na capa. Porém, diante da propriedade com que o assunto é tratado hoje no Te Dou Um Dado?, fiquei speechless.

Pra se divertir clique aqui

'Nuff said.   



Escrito por Marioh às 14h34
[] [envie esta mensagem] []


 
   Referências chez Chanel

Vejo on line a coleção haute couture outono-inverno 2008 Chanel (look acima). Em seguida vejo a campanha da marca estampada nas revistas glossy internacionais do mês. Tanto o penteado Chanel quanto os casaquetos e a atitude (principalmente na campanha publicitária estrelada por Claudia Schiffer), nos levam até Vivendo a Vida (Vivre Sa Vie: Film en Douze Tableaux, 1962), de Jean Luc Godard. No filme, acompanhamos o cotidiano de Nana Freinkenheim (Ana Karina, então mulher do diretor) e sua trajetória na vida fácil - sem dramas ou maiores transtornos, com os olhos de Godard nos tranformando em voyeurs, nunca cúmplices, de episódios da rotina dessa prostituta parisiense. Sobre a coleção Chanel, a jornalista Cathy Horyn, disse que é o lado germânico do diretor criativo da marca, Karl Lagerfeld, em ação - sombrio e sem concessões nostálgicas ou sentimentais.

Ana Karina em Vivre Sa Vie, 1962 

No bloco final da apresentação temos a imagem acima. Clicando um feature do site style.com sobre a top model sessentinha Veruschka (née Vera Lehndorff), deparo com a própria exibindo uma "tiara moderna" de Giorgio Sant'Angelo, em 1968. Take a look:

Como vemos, tudo se transforma... 



Escrito por Marioh às 16h26
[] [envie esta mensagem] []


 
   Alfaiataria sutil

Achei no Youtube os curtas de apresentação da coleção masculina YSL outono-inverno 2009 by Stefano Pilati, da qual falei dois posts abaixo.

Enjoy!



Escrito por Marioh às 20h19
[] [envie esta mensagem] []


 
   No meu playlist de inverno

Hoje vi este vídeoclipe quando acordei - exatamente naquele programa da VH1, Vídeos Para Levantar - e me senti em algum lugar dos anos 60 (late 60's). Já tinha ouvido a Duffy e, na primeira vez, pensei que era a Carmel, que a gente ouvia e gostava nos anos 80. Aí, quando vi a loirinha, lembrei da Nancy Sinatra. Divertido como essas referências pop retrô foram aproveitadas na Amy Winehouse (Ronetes) e agora com Duffy.

Go, girls!

 



Escrito por Marioh às 20h22
[] [envie esta mensagem] []


 
   Role model

Daí, a Isabeli Fontana (acima recebendo uma Amy rápida) tava lá no sofá da Hebe e disse que não gostaria de ter um filho gay.

Daí, as "bee" engajadas se mobilizaram pra jogar pedra na moça e exigir respeito.

Daí, Diana Vreeland já dizia, lá longe, "Modelos. São divinas ou as criaturas mais aborrecidas do planeta".

Daí, que não se entrevista cabides.

Daí, que debates indigentes não acabam nunca.

Preguiça...



Escrito por Marioh às 21h27
[] [envie esta mensagem] []


 
   Mais pijaminhas e mais da moda dos rapazes

Bottega Veneta: pijamarama

A temporada masculina primvera-verão 2009 terminou em Paris. Então dá pra fazer um balanço do que pintou por lá. Nada tanto assim, já que não estava lá para uma cobertura in loco - direto do front row. Mas minhas humildes impressões de iniciado no assunto. Entonces, é o seguinte...

Na Botega Venetta (marca que eu lembro, lá de longe, era coisa de ladies who lunch) o designer Tomas Maier fez pijamas inspirados na silhueta anos 40, de bambambãs da época como Bogart e Mitchum (exemplo na foto acima). É usável e pra lá de confortável. Gosto da mistura blazer com pijama (a beauté privilegiou o look "acabei de acordar"). Tá na minha wishlist.

 

Comme des Garçons: black is best

Nos domínios nipônicos de Rei Kawakubo, saias masculinas são um must - a estilista japones adora. Teve o saiote dos soldados gregos, o kilt colegial e até a versão em babadinhos como no look acima. Rei disse ter acompanhado uma inspiração de trajes clericais. "Padres selvagens", definiu alguém da primeira fila. Ainda não sei quem é o homem consumidor de Comme des Garçons e Cathy Horyn, sempre muito invocada, já perguntou qual a importância da marca hoje em dia. Eu diria "conceito, darling, conceito". Bastante ousadia intelectual envolta em preto, muito preto.  

 

Ann Demeulemeester: pai de santo alemão

Fã confessa da roqueira Patti Smith, a belga Ann Demeulemeester (pronuncia-se "Demelemuster") dessa vez buscou inspiração no autor favorito de sua musa, o alemão Herman Hesse. Vestiu os modelos jovens na primeira parte do desfile com pijamas negros. Enquanto os modelos mais velhos (beeeem mais velhos), do último bloco, apareceram numa gama de branco, bege e off white. Alguma coisa entre jovens existencialistas e hippies veteranos - acho eu, porque dona Demeulemeester adora tribos inseridas no contexto. O traje pai de santo (acima), parece uma delícia de ser vestido.

 

Jean Paul Gaultier: golpe de mestre

Sim, o ex-enfant terrible chegou na meia idade e agora prova por A + B que sabe - e pode - tudo sobre porporção, silhueta e alfaitaria. Não é uma coleção provocadora ou irreverente. O mestre também visitou os anos 40, mais precisamente um filme western da época. Na imagem acima, a calça ampla constrasta e complementa a t-shirt superposta à segunda pele de estampado colorido, peça chave do repertório do estilista. Houve um bloco de xadrezes, num colorido com a mesma iluminação flamejante de Duelo ao Sol.

Hermès: o máximo do minimal. Efortless!

Aqui quem desenha é uma mulher, Veronique Nichanian (Gaultier desenha a linha feminina da casa), e seu verão sinaliza FÉRIAS. Mas que férias minimalistas. E chic. À noite, este homem se veste com os tricôs sofisticados e fluídos, linhos e algodões confortáveis e luxuosos. Atenção para a gama de cinzas. "Garbo e elegância" são de rigueur. Mas sem esforço. 

 

Miharayasuhiro: desgaste hi-tech 

Dificílimo de pronunciar, porém muito fácil de gostar. Este jovem designer nipônico foi até o artista plástico alemão Joseph Beuys em busca de inspiração. No visual de Beuys, não em sua obra. Ele era conhecido, sobretudo, por vestir-se com roupas gastas, surradas pelo tempo, desbotadas por produtos químicos, manchadas de tinta e umidade. Mihara também fez isso, mas por obra e graça da tecnologia. Uma coleção bem interessante com doses equilibradas de classicismo e ousadia (degradê ácido e bordados para serem confundidos com estampas). Dá um look no cós jeans da calça de alafaiataria da foto acima. Olho nesse moço. 

Raf Simons: o antipijama

Claro que Simons, dono de um estilo individual, não iria na mesma direção de todos. Sua intenção foi fazer um manifesto à alfaiataria, esquartejando o smoking. Pegou o traje e o reduziu ao mínimo. Nada de mangas ou calças longas. Suas bermudas lembram leggings de academia. (Aliás, há muitas cropped pants e bermudas nas coleções em geral. Mas elas parecem forçadas, mais num registro calças curtas - o look "pinto calçudo". Decididamente europeus não são desse ramo) Especialistas chamam a atenção para o refinado exercício de design de Simons. A inspiração vem do trabalho do artista nova-iorquino Christopher Wool e do compositor canedense Leonard Cohen. Mais cult impossível. 

 

Paul Smith: picnic cósmico  

Sir Paul Smith batizou seu verão de picnic cósmico. E explicou porque: aparência clássica com ideais psicodélicos. Segundo ele, uma citação dos dias em que as pessoas se vestiam de maneira comportada mas suas mentes já estavam afetadas pelos efeitos do LSD. Por essas e outras gosto de ver mr. Smith como uma alternativa boêmia ao estilo Giorgio Armani de ser. Mais um exercício de styling do que exatamente uma coleção. Boa sugestão para quem tem roupas caretas mas não quer ser visto como tal.

Viktor & Rolf: academicismo kitsch

O duo holandês que fez o caminho inverso na moda feminina (começaram na couture e depois foram para o prêt-à-Porter) é famoso pela sua moda artsy, seus defiles happenings e atualmente por uma exposição de instalações em Londres. Entretando o verão masculino da marca baseia-se num tema banalmente pop, em se tratando da dupla, é claro: Havaí nos anos 50. "Um momento onde as pessoas foram realmente elegantes", segundo eles. Traduziram isso em peças básicas ornamentadas com detalhes luxuosos. Seja um bordado em Swarovski, seja os materiais luxuosos do nerd look acima.

Yohji Yamamoto: japonismo light

O senhor absoluto da moda intelectualizada vem nessa temporada com pensamentos sombrios ("O mundo está cada vez pior"),porém ansiando por dias ensolaraddos ("Sejamos felizes!"). Por isso, o austero exercício sartorial chega calmo e confortável. Sim, a assimetria e o preto continuam lá, e as calças seguem o mantra do pijama. A sur´presa foram duas camisas coloridas de renda: uma azul (acima) e uma amarela. Misturando modelos jovens e senhores não modelos da sua faixa etária (sixtysomething), Yohji exibiu uma coleção sobre a passagem do tempo, trduzido em fomas, tamanhos e materiais que evocam o passado e recordações, porém sem nostalgia ou saudosismo. Envelhecer não é bom, parece dizer o designer, mas é o único caminho. Só nos resta aproveitar a existência da melhor maneira possível. 

 

Yohji Yamamoto, o próprio: Bravo!



Escrito por Marioh às 17h45
[] [envie esta mensagem] []


 
   Festa do pijama

Prada: pijama executivo

Confiro on line os desfiles masculinos de Milão e Paris para a temporada Primavera-Verão 2009. E tá confirmado o look pijama: livre, leve e solto. Já tinha visto em editorial da Fantastic Man e eu mesmo fiz um editorial, no início do ano, apostando na onda (mas os editores da revista, parece, não gostaram muito da idéia - devem ter achado "di pobre" - e tesouraram legal alguns looks).

To seriamente inclinado a adotar o estilo pijamão. Afinal, é uma oportunidade de parecer despojado, confortável e ainda causar por aí ("Ih, olha só. Tá de pijama!", "Onde é que ele pensa que vai assim?"... se divirto).

Olha só, Prada fez (foto acima), Cavalli também, e Dries Van Notten, YSL (by Stefano Pilati), Etro e Dolce & Gabbana, claro. Agora, atenção: não adianta vestir aquele pijama que você comprou no brechó da Benedito (K-Y!), da Feira do Bixiga, da Augusta. Não é por aí. A moda, sempre muito cruel e caprichosa, tem seu códigos pra coisa não virar bagunça. Sem essa de homem desabado com cara de que acabou de acordar (na melhor das hipóteses) ou que dormiu com a roupa de ontem (na pior).  

Dona Miuccia (Prada) brincou de mix de gêneros. Masculino, feminino, andrógino e muito pelo contrário. Tirando as camisetas gola canoa (nenhum homem, absolutamente nenhum, fica bem de gola canoa), tudo é muito sofisticado e up to date. Tem umas sobreposições de camisas pólo longas que, passado o susto, são bem interessantes. Curioso, costumo não gostar muito dos desfiles masculinos Prada mas, quando vejo na loja, quero quase tudo (e cadê o aqué$h? ai, ai, ai...).

   

Dolce & Gabbana: terno pijama Cosa Nostra

Os Dolce & Gabbana, Domenico e Stefano, investiram no pijama "di cum força" porque acreditam que agora tudo se resume em conforto e chamam os homens, literalmente, para a cama. Até os ternos são folgadões e vêm em tecidos com padrão de roupa de dormir - parecem feitos para algum membro fashionable da família Soprano. Detalhe: camisas são substituídas por écharpes de seda. Uma coisa peito aberto.

Roberto Cavalli: pijama de luxo

Cavalli tem os dois pés firmemente plantados no cafona e eu gosto que me enrosco. Ele faz o cafona com verve, con gusto e sem medo de ser feliz (no feminino, é o único que consegue soltar dois - ou mais - bichos num mesmo modelo e ainda sair vivo do embate pra deixar uma mulher simplesmente eletrizante). Seus pijamas são deliciosamente cafonas, felizes e impressionam que é uma beleza. Adorei essa túnica aí em cima. Até arriscaria numa festa de casamento high profile. Afinal, daqui a pouco o corpinho vai permitir.

 

Etro: pijama folk

Exuberante e esfuziante como sempre, Etro fez seus pijamas em sedas estampadas e com cara de playboy cafajeste - cafajeste à la mode, mas ainda cafajeste. Segundo Milão, o dandy já era. Acho perigoso o total look acima, mas as duas peças separadas rendem um ótimo caldo, fornecendo um toque pijama para outras montagens. 

 

YSL: pijama de alfaiataria sutil

Chez Saint Laurent, Stefano Pilati também repudiou o dandy. Quer dizer, repudiou numas. Apresentou formas masculinas clássicas, mas costurou tudo com tecidos leves de roupas femininas como gazar, organza, tule, georgete. O que ele chama de "alfaiataria sutil". Uma subversão suavemente perversa apresentada não em um desfile, mas em sete filminhos de curta metragem cheios de referências experimentais e underground pescadas em Kenneth Anger, Andy Warhol e Godard. Achei chic, como diz Bianca Exótica. Bem chic.

Dries Van Noten: robe de chambre

O belga van Noten, famoso pelo astral étnico de suas criações, vestiu os rapazes também com alfaiataria. Menos sutil, porém tão sofisticada quanto. Dá uma olhada nesse trench-coat com pinta de robe de chambre. Sim, é preciso ousadia e muito espírito fashion pra encarar. Mas que categoria, não?

Bons sonhos.



Escrito por Marioh às 17h25
[] [envie esta mensagem] []


 
   Dama de primeira

Surpreso como todo mundo com a morte repentina da ex-primeira dama Ruth Cardoso. Lembro de uma reunião de pauta, há alguns anos, quando o nome da então primeira dama surgiu e foi rechaçado imediatamente - inclusive por mim. Tudo bem, não encaixava na pauta em questão e a presença dela na revista seria, no mínimo, forçar a barra. Mas vejo hoje que, por puro preconceito, perdi a oportunidade de fazer o perfil de uma pessoa interessante. Afinal, podia ter colocado d. Ruth tranquilamente em outro momento, em outra publicação (entre tantas e inexpressivas mulheres de presidentes, ela se mostrou única). Domage.

Não sou da política e nunca falo disso, ou de políticos, por aqui (não gosto do assunto, não domino). Fazer uma elegia à d. Ruth, portanto, soaria totalmente falso, fora de propósito e oportunista.

Mas o Marcelo Coelho, da Folha de S. Paulo, falou bonito no seu blog. Gostei. Pra conferir.

Decanse em paz, d. Ruth.



Escrito por Marioh às 18h56
[] [envie esta mensagem] []


 
   E agora a moda com Cristina Franco

Recebi hoje pela manhã uma ligação de Salvador. Do outro lado da linha, Cristina Franco, jornalista de moda que informou - e, em alguns casos, formou - toda uma geração com seu report sobre o assunto no Jornal Hoje, da Rede Globo. Primeiro com intervenções durante o noticiário ("E agora a moda com Cristina Franco" era a deixa para ela entrar em cena, sempre com brincos vistosos, cabeleira negra, batom vermelho e sotaque carioca inconfundível. "Essshtive em Milão..."). Depois com uma coluna eletrônica aos sábados, intitulada Ponto de Vista

Há tempos não conversávamos - ela agora vive na Bahia, longe dos holofotes fashion, porém sempre conectada com os negócios da moda. Daí, conversa vai conversa vem, era inevitável não falar sobre São Paulo Fashion Week. Ela não compareceu. Aliás, retirou-se da cena com discrição e elegância há algum tempo ("Foi uma opção", daclarou). Eu também não, porque afinal não precisava cobrir o evento (thank God, não faço isso há algumas temporadas) e depois, como bem lembrou um amigo maquiador: "Mario, é imoral ir naquele lugar se não for por dinheiro".

No papo matinal, falamos do esvaziamento e da pouca relevância dos eventos de moda (ah, então a Karolina Kurkova está gorda, veja só...). Do arrivismo empresarial, tipo grupo I'M (dos imbroglios envolvendo Zoomp, Fause Haten e quase Alexandre Herchcovitch - digo "quase" porque mr. Herchcovitch sabe muito bem onde pisa), da falta de assunto generalizada (quanto mais gente envolvida na cobertura - blogs inclusos de maneira espantosa - menos se tem do que falar) e concordamos que "the next big thing" no cenário fashion não virá de nenhuma semana de desfiles. Com licença da expressão, o buraco está mais embaixo. E faz tempo.

Enfim, ótimo ter colocado o assunto em dia com la Franco com quem, faço questão de dizer, aprendi a usar a terminologia fashion em um texto. Toda vez que uma imagem das coleções de Paris, Nova York ou Milão vinha parar na minha mesa, pensava: "Como Cristina Franco diria isso?". Aí, recebia uma Cristina rápida e mandava ver. Era tiro e queda: "Para Giorgio Armani, o preto & branco é vedete", "Givenchy apresentou sua mais elaborada coleção em anos, com vestidos diáfanos e irisdescentes" etc e tal. Enfim, foi uma escola. 

Minhas saudações fashionistas!

 

PS1: Achei interessante, ainda que rabugenta, a visão do crítico da The New Yorker sobre Sex and the CityVai lá

PS2: Apesar de ter lido - e postado aqui - a presença no mercado do fime Crown, o Magnífico em DVD, não o encontrei em nenhuma prateleira do varejo (leia-se Fnac e Livraria Cultura. Aliás, a vendedora da Cultura me garantiu que ainda não foi lançado mesmo). Enquanto isso, vejo Steve McQueen - o astro do filme - em tudo que é anúncio e editorial de moda das revistas glossy, estampado nas camisetas Dolce & Gabbana. É o ícone vintage da temporada. Fico no aguardo.

      



Escrito por Marioh às 18h28
[] [envie esta mensagem] []


 
   Recuerdos de Ipacarahy

Passeando pela rede reencontro minha amiga Bebete Indarte, perfilada na Carta Capital e falando pelos cotovelos em seu próprio blog. Histórias pra mais de metro, hein, gata?   



Escrito por Marioh às 18h30
[] [envie esta mensagem] []


 
   Oh, que delícia de crise da meia idade

Passei incólume pelo furacão Sexy and the City. Não que tenha desprezado a série ou simplesmente a deixado passar batido. É que nunca fui fã mesmo. Acompanhei alguns episódios da primeira temporada – transmitida no Brasil, nos idos de 1999/2000, pela HBO – e gostei muito do que vi. Porque era tudo que as outras séries americanas não se atreviam ser: politicamente incorreta (adorei a heroína fumante inveterada), irreverente, assumidamente fútil (e tome Manolo!), adulta e sem vergonha (Samantha Jones é um ícone de estatura maior do que Carrie Bradshaw – talvez daí as desavenças, muitas vezes insinuadas na mídia, entre as atrizes Kim e Sarah Jessica). Então, o seriado sumiu da tevê paga sem conquistar espectadores por aqui, apesar de ser um estrondoso sucesso internacional. Dois anos depois, caso você dissesse não conhecer SATC, era olhado com um misto de pena e desprezo. Mais do último, com certeza.

Assim chegamos a 2008 e aceitei fazer um programa com as garotas da redação para assistir o filme evento da temporada, no dia de sua estréia nacional. Cinema de shopping cheio – mas não lotado – mulheres, muitas mulheres (de várias idades, formas e cores) em duplas, trios, bandos ou acompanhadas de namorados e maridos pouco à vontade (heterossexuais masculinos nunca digeriram bem essas quatro amigas nova-iorquinas, criadas pela escritora Candace Bushnell com voraz apetite e atitude, até então masculinos, para o sexo. Eram o mito da “vagina dentada” montado em um par de Manolos, vestido no rigor do último grito da moda, com uma compulsão por discutir a relação enquanto bebe estilosamente litros de Cosmopolitan – a bebedeira, eis aí outro hábito apropriado diretamente do rol das proezas viris). Até o momento tenho visto a crítica cair matando sobre a encarnação cinematográfica da quatro garotas de Manhattan. E, do outro lado, as mulheres ansiosas, os gays desesperados e as bichinhas histéricas (todas devidamente mais calmas depois de terem visto pelo menos uma vez a fita) dizendo que o filme é simplesmente T-U-D-O. Devo dizer que é bem isso mesmo. Mas também aquilo. Por isso Sex and the City, o filme, é material do qual são feitas as boas matinês.

Big e Bradshaw: noivo neurótico, noiva nervosa

A equipe é a mesma do seriado, inclusive o roteirista e diretor Michael Patrick King e a figurinista Patricia Field (agora, vamos combinar que aquele desfile da seqüência da Semana de Moda é um pavor absoluto). Mas as amigas, além de mais velhas, estão às voltas com velhos fantasmas. Charlotte (Kristin Davis) e seu marido careca adotaram uma garotinha chinesa, completando assim seu enredo de casal perfeito de Park Avenue. A advogada Miranda (Cynthia Nixon) está tão mais caxias que a performance sexual escorre pelo ralo e abre uma brecha para um terremoto conjugal. Samantha (Kim Catrall), a bomba sexual de quase 50 anos, vira uma super executiva de Hollywood – empresariando seu jovem marido hearthrobe do cinema – mas tem dúvidas quanto a seu talento e adequação para o papel de esposa (mesmo sendo uma “Hollywood wife” no melhor estilo Jackie Collins). E finalmente Carrie (Sarah Jessica Parker), ainda uma viciada em sapatos e grifes, mas agora escritora de sucesso, namorada oficial do mr. Big (que é a cara de um amigo meu) e, claro, prestes a levá-lo ao altar. Lógico que o desenrolar dos acontecimentos é totalmente previsível. Mas quem está ligando pra isso quando se tem a fotogênica Nova York como cenário, uma trilha sonora repleta de efemérides pop (tipo Love Will Keep Us Together), um desfile de vestidos de noiva couture (as mulheres na platéia disparam “ooohhhs” e “aaaahhhs” a granel durante a projeção), boas piadas (uma delas bem escatológica e hilariante) e uma porção de observações espirituosas sobre a vida (clichês embrulhados para presente, como todo o resto da produção). Sim, o incidente responsável pelo conflito dramático está mais pra novelão do que pra comédia de costumes, mas o roteiro de boa carpintaria trata de colocar tudo em seu devido lugar no final. Como sempre aconteceu em Hollywood. Assim, a crise de meia idade de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha é daquelas que todos gostaríamos de ter.

Divertido, para apetites fashionistas, ver os coleguinhas fazendo eles mesmos na seqüência da sessão de fotos para a Vogue: a jornalista Plum Sykes, o diretor de estilo André Leon Talley e o fotógrafo Patrick Demarchelier. E um susto, para apetites cinéfilos, ver Candice Bergen envelhecida e matrona como a editora de moda da revista.

Só para lembrar que o criador da série, Darren Star, antes de SATC fez uma tentativa de outro seriado glamoroso passado em Nova York: Central Park West. Este sim um novelão de primeira, centrado em uma revista de moda tipo Vogue, com uma editora idealista (Mariel Hemingway) cercada de bitches por todos os lados. Um fracasso retumbante que durou apenas duas temporadas. Dessa eu era fã.

Fabulous four: Elas querem é casar



Escrito por Marioh às 20h53
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Arte e cultura


HISTÓRICO



    OUTROS SITES
     UOL
     UOL SITES


    VOTAÇÃO
     Dê uma nota para meu blog!