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    Grão Mogol by Marioh


    Vale a pena ver de novo

    Revejo pelo TCM, dentro do ciclo L'Amour Fou, Morte em Veneza (Morte a Venezia, 1971), de Luchino Visconti. Um daqueles clássicos que sempre permitem releituras e novas observações. Devo dizer que não é o meu favorito da Trilogia Alemã do cineasta italiano, mas é sem dúvida o mais visualmente deslumbrante (prefiro Ludwig, a Paixão de Um Rei, de 1972. E acho Os Deuses Malditos, de 1969, estranho e arrastado).

    Em Morte em Veneza há contribuições magistrais do diretor de fotografia Pasqualino De Santis, do editor Ruggero Mastroianni (sim, ele era irmão do Marcelo), do diretor de arte Ferdinando Scarfiotti e, sobretudo, do figurinista Piero Tosi (acreditamos que os personagens estão realmente em 1912, e não simplesmeste com trajes da época como em, por exemplo, Titanic). A direção é superlativa e cada sequência tem seu temperamento próprio. Porém, no afã de capturar por completo o espírito literário de Thomas Mann, autor do romance no qual o filme se baseia, Visconti - também autor do roteiro - inclui o personagem Alfred (Mark Burns) que em flash back discute com o compositor Gustav von Aschenbach (Dirk Bogarde, maquiado para se parecer com Mann) sobre a vida e a arte (lembrando de modo corriqueiro o embate Setembrini X Naphta, os intelectuais duelistas de outro clássico do autor,  A Montanha Mágica). O expediente faz uma barriga na narrativa interrompendo a fluidez da longa agonia de Ascenbach em sua paixão platônica pelo jovem adolescente polonês Tadzio (Björn Andresen, na foto acima), enquanto tenta superar o stress em férias numa Veneza ameaçada pela epidemia de cólera. Tudo embalado pela daramaticidade excruciante das Sinfonias Números 3 e 5 de Gustav Mahler, em quem o Aschenbach do romance foi baseado.

    Silvana Mangano como a mãe atristocrática de Tadzio e Marisa Berenson, como a esposa de Aschenbach, são luxuosos adereços de cena (etéreas e inebriantes visões de damas antigas) e temos um longo traveling na praia do Lido, com uma tocante ária cantada por uma mulher do grupo dos russos (assim como em A Montanha Mágica a geopolítica européia era reproduzida nas mesas do refeitório da clínica nos Alpes, Visconti aqui faz o mesmo com as cabines da praia). São momentos de gênio que fazem da experiência cinemtográfica grande arte. 

    Altamente recomendado.

       

    No fim de semana mergulhei na grande orgia romana pagã que é Satyricon de Fellini (1969). Está na programação deste mês do Telecine Cult. E il maestro nunca esteve tão atrevido e exuberante. Pauline Kael, a suprema crítica de cinema americana, implicava com Fellini e sustentava que seu Satyricon é uma coleção de fantasias obscenas de um garoto de colégio católico. Concordo, mas não acho que isso deponha contra o filme. Fellini sem os tipos bizarros, sem os aleijões que se exibem para a platéia, sem as safadezas vistas de relance, não é Fellini.

    Baseado no romance picaresco atribuído a Petrônio, contemporâneo do imperador romano Nero, Satyricon tem uma narrativa não linear - apenas trechos do manuscrito chegaram até nós e ainda hoje se discute que tamanho teria a obra completa. São as aventuras e desventuras de Encolpio (Martin Potter) às voltas com seu amigo espertalhão Ascilto (Hiram Keller) e o amante adolescente Gitão (Max Born). Nessas andanças, passa por um teatro mambembe  (que lembra muito o espetáculo do teatro de revista que o diretor coloca em seu filme seguinte, Roma) e vai parar no banquete/orgia do novo rico Trimalchão (Mario Romagnoli), pretexto para Fellini exercitar fantasmagorias debochadas e lascivas. A cenografia e os figurinos de Danilo Donati enchem os olhos e nos assombram por muito tempo depois de termos visto o filme. Capucine (na foto acima com Hiran Keller) empresta seu rosto de esfinge para a personagem Trifena, enquanto a turca Magali Nöel faz uma dança lúbrica e jogos lésbicos com outra convidada do bacanal. Donyale Luna, top model negra dos anos 60, faz Enotea, a mulher com quem Encolpio fica impotente. E Hilette Adolphe é a escrava do ménage à trois com Encolpio e Ascilto, em uma mansão deserta cujos proprietários acabam de se suicidar. 

    Giuseppe Rotunno fotografou e Ruggero Mastroianni encadeou as imagens num efeito hipnotizante de afresco (muita gente embarca nessa trip e pega no sono).  A trilha sonora tem colaboração de Nino Rota, o velho comparsa de Fellini, mas há outras sonoridades e canções igualmente hipnóticas que lembram o ritmo das tribos do deserto norte africano, num efeito moderníssimo.

    Satyricon merece ser revisto pelos mais velhos e descoberto pelos jovens.  



    Escrito por Marioh às 18h00
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    Troféu Abacaxi

    Nos anos 60 Chacrinha, o Velho Guerreiro, costumava oferecer o Troféu Abacaxi para os piores calouros que se apresentavam em sua A Hora da Buzina ("É hora, é hora, é hora/É Hora da Buzina/O programa que acaba quando termina/Tem o prêmio do cantor/Tem o prêmio da bailarina/Tem prêmios de valor/Só acaba quando termina/O Chacrinha comanda a Hora da Buzina"). Mais tarde, quando a esculhambação do apresentador virou cult, o troféu também virou. Agora observando o recente Prêmio Moda Brasil, noto que o formato original do Abacaxi do seu Aberlardo Barbosa vem novamente a calhar.

    Senão, vejamos: o Prêmio Moda Brasil realizado no final de outubro - em cerimônia bastante simpática na Casa Fasano - tem o intuito de contemplar os profissionais do setor e incentivar novos talentos (através de um cheque de R$ 50 mil para a categoria Revelação do Ano). Então vamos lá pra ver o que acontece e, apesar de toda a explanação dos organizadores sobre o processo de votação e o número de inscritos (mais de 30 na categoria Revistas ???????), fica tudo na base do "ói, nóis aqui otra veiz". Reinaldo, Glória, Herchcovitch, Costanza, Erika... the usual suspects. Não, que eu não ache as coleções de Reinaldo, Glória e Herchcovitch ótimas, mas vão ficar se revezando nos prêmios até quando? A própria Costanza, no discurso de agradecimento do prêmio de Jornalista, assumiu que escreve apenas uma coluna por mês, em Vogue - sem falar que ela não atua de fato como jornalista de moda há pelo menos duas décadas. Costanza, além de uma unanimidade é empresária de sucesso à frente da Tecelagem Santa Constancia e personalidade fashion inconteste. Full stop. 

    Entre os títulos indicados na categoria Revistas estava Joyce Pascowitch, outra publicação sobre a qual também não resta a menor dúvida, mas que não é uma revista de moda - nem pretende, acho eu. Programa de Tevê, de verdade, temos apenas um, o GNT Fashion de Lilian Pacce, portanto também deve permanecer colecionando troféus. Enquanto o site o EP está longe de ser o melhor em uma categoria morna - na verdade não temos nenhum site de moda instigante ou bacana. Enfim, fica difícil entender os meandros e critérios dessa premiação. A não ser que se assuma realmente tratar-se de uma província em momento de auto homenagem, seguindo a lógica da diplomacia cordial e da boa vizinhança que não assusta os cavalos nem acorda as crianças.

    Sim, houve a grande e mais que merecida homenagem à querida Regina Guerreiro, que simplesmente roubou o show. Suas frases antológicas, devidamente interpretadas com verve e malícia por uma Déboa Bloch inspirada, mostraram que ela ainda é voz única e solitária na moda brasileira. Não conheço outra pessoa que pense a moda da maneira tão pop, sagaz e ousada quanto ela. A ótima reportagem feita por Beth Orsini duas semanas antes da premiação, no caderno Ela, de O Globo, vislumbrou o verdadeiro tamanho da contribuição da Guerreiro no cenário nativo. Falei para alguém que me entrevistou na saída do prêmio, que Regina é parte da cultura nacional e não apenas da moda. Fiquei imaginando o que passava pelas cabecinhas fashion juvenis enquanto eram projetadas imagens de alguns dos trabalhos de Regina feitos para publicações como Cláudia, Setenta, Vogue e Elle ao longo dos últimos 40 anos. Não temos visto nada parecido hoje em dia, mesmo com toda tecnologia digital à disposição. Certa vez, em um depoimento, defini Regina como um mix esperto de Diana Vreeland, lady Macbeth e Dercy Gonçalves. Hoje digo que Regina é Regina. E fim de papo. 

       

    Baião de dois: Regina Guerreiro e moi même na noite do Prêmio Moda Brasil 

    PS: Não, ainda não fui ver o documentário Alô, Alô, Terezinha. Mas ouvi dizer que o diretor, Nelson Hoinef, se atém ao mundo cão da vida das chacretes pós Discoteca do Chacrinha e não à trajetória do Velho Guerreiro. A conferir.   



    Escrito por Marioh às 13h19
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    Quase Proust

     

    Na falta de um questionário Proust (aquele publicado na última página de Vanity Fair) respondo as perguntas enviadas pelo misterioso Nucool.

    Ele quer saber "Afinal vc é mais...?"
     
    CHICLETE ou ASA DE ÁGUIA?
    Sarah Jane 
     
    GESTÃO LULA ou FERNANDO HENRIQUE?
    Odorico Paraguassu
     
    ALCINO ou PALOMINO?
    Cathy Horyn
     
    LABIRINTUS ou 269?
    Substation South
     
    PASCOLATO ou GUERREIRO?
    Livio Rangan 
     
    RG31 ou BLACKOUT?
    Beg your pardon... 
     
    Z CARNICERIA ou ASTRONETE?
    Spazio Pirandelo 
     
    BALADINHA ROCK ou ELETRÔNICA?
    Som de Cristal
     
    ATIVO ou PASSIVO?
    Lésbica separatista
     
    MEGAN FOX ou LOVEFOXXX?
    Dúvida cruel: Twentieth Century Fox ou Foxy Brown?
     
    MODA PARA VIDA REAL ou MODA PARA SONHAR?
    Roparhara, moda exótica
     
    VIAGRA ou CIALIS?
    Cielo, César Cielo
     
    VEGAS ou D-EDGE?
    Napalm  
     
    PRETO ou COLORIDO?
    Nude
     
    SEXO COM ou SEM BEIJO?
    Morde e assopra
     
    HERCHCOVITCH ou DUDU?
    Christine Yufon  
     
    JUNIOR ou DOM?
    Sean Cody 
     
    ANOS 80 ou 90?
    Gay nineties... 1890's 
     
    FERNANDA YOUNG ou MARILIA GABRIELA?
    Xênia... e você   
     
    LONDRES ou BERLIM?
    Samarcanda
     
    CAFÉ ou CHÁ VERDE?
    Chimarrão
     
    CACHORRO ou GATO?
    Tiranossauro Rex
     
    REICH ou FREUD?
     Jung
     
    RJ ou SALVADOR?
    BH (Beverly Hills)
     
    CIDADE JARDIM ou IGUATEMI?
    Burlington Arcade    
     
    DONATA ou ELIANE?
    Eliete


    Escrito por Marioh às 14h45
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    Não falei sobre...

    ...a morte do americano Irving Penn em 7 de outubro último, aos 92 anos. Um dos maiores fotógrafos do século passado e uma das mais longas carreiras no métier, cobrindo do final dos anos 40 até praticamente ontem. Apesar de famoso pelos instantâneos de moda e beleza (colaborando primeiro com Harper's Bazaar e em seguida com Vogue), realizou em estúdio uma série de retratos antológicos de grandes personalidades internacionais (Picasso, Stravinsky, Dietrich, Duchamp...) que primam pela dramaticidade e ausência de detalhes. Os fotografados eram posicionados em um canto onde ficavam praticamente acuados pela câmera de Penn. Casou-se nos anos 50 com sua modelo favorita, a sueca Lisa Fonssagrives, então na ativa desde a década de 30, tendo trabalhado com os históricos Hoynigen-Huene e Horst (apesar do currículo, ela costumava dizer nunca ter sido mais do que "um bom cabide"). 

    A imagem acima é dos anos 2000 para Vogue América, onde contribuía - pelo menos nos últimos 20 anos - em todas as edições ilustrando as páginas de saúde, beleza e/ou culinária (um simples ovo frito virava uma obra de arte surrealista sob as lentes do fotógrafo). Além de matérias de capa como um deslumbrante ensaio com Nicole Kidman.  E uma coisa que eu não sabia: ele era irmão do diretor de cinema e teatro Arthur Penn, autor de clássicos da tela como Caçada HumanaUma Rajada de Balas e Pequeno Grande Homem. Família boa, não?

     

    ...a morte de Dominick Dunne (à esquerda na foto acima com seu filho ator Griffin Dunne, o irmão escritor John Gregory Dunne e a cunhada escritora Joan Didion), aos 84 anos, em agosto. Fiquei fã do jornalista e escritor americano quando comecei a ler seus perfis de celebridades para Vanity Fair, nos anos 80 (mais tarde reunidos no volume Fatal Charms and Other Tales of Today, onde se destacam os encontros com Elizabeth "não me lembro de uma época da minha vida em que eu não tenha sido famosa" Taylor e Claus Von Büllow, playboy internacional acusado de induzir sua eposa milionária Sunny a um coma do qual jamais sairia - ele foi absolvido e hoje vive em Londres). Depois devorei seu primeiro romance The Two Mrs. Grenville, baseado num rumoroso caso de 1955, quando uma socialite de Nova York - ex-corista da Broadway - alvejou seu marido com uma espingarda alegando em seguida tê-lo confundido com um assaltante. A personagem real, mrs. Woodward, já havia aparecido no infame capítulo La Côte Basque do nunca terminado Answered Prayers de Truman Capote - texto que levou o autor de A Sangue Frio à desgraça entre os ricos, finos e chiques de Manhattan - mas Dunne, além de ter mudado o nome dos personagens, parece ter acrescentado muito pouco de ficção à suculenta realidade do escândalo. Em seguida veio People Like Us, um corte revelador da mesma sociedade nova-iorquina em tempos de arrivismo à la Donald Trump e novos impactos de comportamento. Uma das personagens socialites, a esnobe Lil Altemus, não conseguindo digerir a homossexualidade do filho e, pior ainda, a ligação dele com o sobrinho da empregada porto-riquenha, passa-lhe cartelas de barbitúricos ocultas num pacote de revistas ao visitá-lo no hospital, onde ele enfrenta complicações decorrentes da Aids. Como quem não quer nada, fala que ele não é o único caso de homossexualidade na família, porém esses antepassados foram honrados o bastante dando uma solução discreta e final para esse tipo de situação embaraçosa. Era esse o ambiente onde Dunne transitava e sabia reportar como ninguém. Claro que depois de People Like Us (mal traduzido no Brasil como Os Colunáveis) muitas portas lhe foram fechadas.

    Mas Dunne possuía outra fixação, a Justiça. Sua filha Dominique foi morta por estrangulamento pelo namorado e este absolvido. Dunne não se conformou com o veredito e a partir de então entrou numa cruzada pessoal. Munido de uma nova identidade profissional como jornalista - havia sido produtor de cinema em Hollywood nos anos 60 e, em seguida, caído em desgraça na comunidade cinematográfica - cobriu todos os casos mais rumorosos que frequentaram os tribunais americanos nos útlimos vinte e poucos anos, indo muito além das evidências apresentadas em corte, obtendo informações e declarações que nem a promotoria ou a defesa dispunham. Foi assim no caso dos irmãos Menendez - massacraram pai e mãe a tiros por uns dólares a mais - do ex-ídolo do futebol americano e ator O.J. Simpson e, mais recentemente, na morte do milionário Edmond Safra cujo enfermeiro particular era acusado de ter provocado o incêndio que vitimou o patrão. Aliás, dizem que durante a cobertura deste caso Dunne desenvolveu uma fixação platônica pela viúva do banqueiro, a brasileira Lily Safra. 

    Nos últimos tempos, vivendo entre Connecticut e Nova York, Dunne mantinha coluna fixa em Vanity Fair. Um diário onde registrava andanças pelo grand monde (entrega do Oscar, Festival de Cannes, temporada social londrina, alta-costura em Paris, encontros com celebridades como Kate Moss em Manhattan) e, claro, julgamentos. Não ficou satisfeito também com o veredito de inocente para Michael Jackson pelas acusações de pedofilia. 

    Jamais se recuperou da morte da filha (uma atriz em começo de carreira que pode ser vista como a filha mais velha da família assombrada de Poltergeist) e mantinha uma relação tumultuada com o irmão, o escritor e roteirista John Gregory Dunne, com quem ficou sem falar durante dois anos devido à divergências de opinião sobre o julgamento de O.J. Simpson. Seu filho Griffin Dunne (mais lembrado como o yuppie pateta de Depois de Horas, de Scorcese, ou o milionário pateta de Quem é Essa Garota?, com Madonna) dá um depoimento emocionado no report sobre a morte do pai na edição de novembro de Vanity Fair.  

    É uma voz da qual sentirei falta. 



    Escrito por Marioh às 20h29
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    Afinal, pra que serve a crítica?

    Post excelente do blog do Inácio Araujo.

    Vai lá



    Escrito por Marioh às 18h03
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    Teste, teste..

     

    Som! Soooom!



    Escrito por Marioh às 10h37
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    Instamatic

    Cena da antológica montagem de Macunaíma, de Antunes Filho, clicada por Vania Toledo (1978)

    Voltei!

    Tava ausente, viciado no Facebook (sim, eu tenho problema com drogas...). Tudo bem que Alê Farah salientou o fato de blog ser "so 2006", mas como outro dia cheguei à conclusão que datei (apesar dos testes de carbono 14, ainda não se precisou a data exata), vou blogando de vez em quando pra não perder a prática.

    Daí, hoje de manhã chego na redação (meu chefe disse: "A expressão 'aqui na redação' é tão antiga") e encontro sobre a mesa um exemplar de Palco Paulistano (257 págs., Imprensa Oficial), da minha amiga de longa data Vania Toledo. Apesar de nossa amizade já durar três décadas, confesso que conhecia pouco o trabalho de registro teatral de Vania. Claro, acompanhei de perto a paixão da fotógrafa pelo teatro e a vi diversas vezes em ação na platéia, na coxia, no palco e em vários ensaios, mas não tinha noção do tamanho desse arquivo (se conheço bem Vania, a edição do livro contempla apenas uma pequena parte do que ela vem clicando nos palcos da vida desde o final dos anos 60). 

    Palco Paulistano é desses coffee table books de responsa: edição caprichada, direção de arte competente, impressão de alta definição. Por isso, uma simples folheada já constitui uma viagem em si. Podemos rever, conferir ou descobrir imagens de alguns de nossos maiores performers em grandes momentos. São instantâneos fortes que nos colocam no centro de espetáculos marcantes como Cemitério de Automóveis (1969), Fala Baixo Senão Eu Grito (1969), O Balcão (1969), Apareceu a Margarida (1973), Trate-me Leão (1977) e Salomé (1997), entre muitos outros.

    Temos Raul Cortez em diversas épocas (seu retrato em Ah!América é um dos pontos altos do livro), Paulo Autran, Marília Pêra, Lilian Lemmertz, Sergio Mamberti, Tonia Carrero, Odete Lara (fumando um baseado das mãos de Odavlas Petti), Cleyde Yáconis, Regina Casé, Dedé Veloso, Marco Nanini (impressionante em Os Filhos de Kennedy), Irene Ravache, Regina Duarte, Vera Zimermann etc etc etc. Devidamente capturados em toda dramaticidade do preto e branco (Vania adora um chiaroscuro). Na capa, um muito jovem e esguio José Wilker com Rubens Corrêa, em O Arquiteto e o Imperador da Assíria (1970).

    O mais legal de tudo isso é ver Vania abrindo seus arquivos (praticamente tudo e todos que passaram pela vida da fotógrafa nas últimas quatro décadas mereceram um clique) e sendo redescoberta por uma nova geração. Ano passado ela fez uma esfuziante crônica pop/fin-de-siécle da cena noturna (anos 70 e 80) com a exposição Diário de Bolsa, na Pinacoteca, mostrando que muito antes das câmeras digitais, já registrava tudo munida de uma inseparável Yashica (batizada "Nhá Chica", por Gilberto Gil) que carregava na bolsa. Now, THAT'S modern!   

    A edição de Palco Paulistano é bilingue (português/inglês) e mereceu lançamento hype/culturete na última Flip, em Paraty.

    Valeu, Vania. Adorei o espetáculo. Merda!

      

    Olha a Vania, com Maria Della Costa, no lançamento do livro na Flip (foto de Daniel Deák/Glamurama)

    Para mais clics de Vania Toledo, clique aqui



    Escrito por Marioh às 17h11
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    O vídeo matou a rainha do rádio

    Emilinha Borba,  "a maior" da Rádio Nacional (anos 50)

    Li no blog do Nelson de Sá,  Toda Mídia, que Facebook e Twitter mataram o Blog. Mas já? Quer dizer, como leitura continua, mas como criatividade de conteúdo seu tempo já passou. Resumindo: ... mórreu! Afinal, é muito mais fácil Facebookar ("Colhendo amoras no campo com os Teletubies!") e Twittar ("Onde é a balada, galera?), do que blogar. Até eu, que adoro me derramar em posts caudalosos ("Mario, escreve menos", protestou um amigo certa vez, to no avail...) ando passando mais tempo no Facebook porque to achando divertido (sim, é mais ágil e menos cafona do que o Orkut, mas a patetice da maioria dos posts é igual que nem), porque gosto de uma boa futrica e porque sou novidadeiro (até agora não a ponto de twittar).

    Agora leio na edição de Agosto de Vainity Fair, James Wolcott perguntando "O que será do esnobe cultural?" .  Como faremos para nos distinguir dos meros mortais através dos livros, músicas e filmes que gostamos sem poder exibi-los publicamente - já que tudo agora é uma questão de download e armazenável em gadgets portáteis? "Livros não apenas podem mobiliar um cômodo (...) como também fazer as vezes de acesórios para nossas roupas. Ajudam a marcar nossa identidade. Entretanto, com a velocidade do progresso tecnológico, podemos eventualmente ser apanhados culturalmente nus em meio à selva urbana", chama a atenção Wolcott. Na mesma batida, penso em como desvendar, através do gosto pessoal,  a personalidade de um novo(a) conhecido(a) se os signos de conhecimento não estão mais visíveis no ambiente onde vivemos - livros, música e filmes estão ocultos no master computador da casa. Podemos saber apenas se é o caso de uma pessoa Apple ou Microsoft.  

    Lembro de ter entrevistado certa personalidade televisiva - tida em alta conta enquanto pessoa conectada ao erudito e ao alto pop - e, numa rápida escaneada por biblioteca, CDs e posters de cinema nas paredes, pude detectar um conhecimento bem mediano para alguém que se leva, e é levada, tão a sério. Havia também escolhas de artes plásticas basatante duvidosas e algums objetos kitsch bem interessantes se encarados como tal - era eviedente, pela modo da exposição, serem reverenciados como algo de impactante modernidade. 

    Enfim, é o novo invadindo nossas vidas na velocidade das grandes mudanças de hábitos sociais. Abrace, mas sem esquecer o passado. 

    Daí, nessa onda das novas tecnologias substituindo as antigas, destruindo uma ordem a qual estávamos acostumados, lembrei dos Buggles, com seu hit de 1979, Video Killed the Radio Star. Não poderia deixar de postar para os meus queridos leitores que não aguentam mais Michael Jackson.       

    Ah, just for the record: Continuo fã da Emilinha!



    Escrito por Marioh às 13h20
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    Don't stop till you get enough

    O excesso matou Michael Jackson.

    Excesso de sucesso, de mídia, de adoração, de bajulação, de talento, de aberração, de cirurgias plásticas, de substâncias químicas, de royalties, de dólares, de patrocinadores, de dívidas, de delírios, de problemas, de mentiras, de cosméticos, de brinquedos, de Elizabeth Taylor- Hollywood - Las Vegas, de mal entendidos, de especulações, de solidão, de desejos reprimidos, de prazeres proibidos, de parentes serpentes, de inveja galopante, de ritmos alucinantes, de vertigens, de genialidade. 

    Foi demais para um garoto só. 

    Já deve estar trocando receitas de maquiagem com Marilyn, ensinando Elvis como se faz o moonwalk e, como gentleman que se preza, desculpando-se com Farrah por tê-la varrido do noticiário. Claro que logo mais, à tarde, a princesa Diana receberá todos para um tea dance.

    It's gonna be a helluva party! 

    Agora é com você, Madge.     



    Escrito por Marioh às 14h14
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    Bye, Michael (1958-2009)

    The biggest selling album of all time!

    Dizer o que mais?

    Let's rock the night away!



    Escrito por Marioh às 20h01
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    Fashion Beeesha ou Semana Week de Moda Fashion

    Bem que eu tentei me comportar. Mas foi beyond my control.

    Em busca de notícias sobre os eventos da Semana GHB, oops... GLBTHYZ, acabei no site A Capa (aliás, nota zero em cobertura para os blogayros e sites do segmento - francamente, seu Mix Brasil...). Entre as chamadas da home me chamou a atenção um certo desfile de moda realizado no clube Danger ("Be afraid, be very afraid"). O texto da cobertura chega até a ser comovente em sua ingenuidade tosca (pronto, tucanei "ignorância"), contando sobre a apresentação da coleção outono/inverno da Ana Dumont Multimarcas (entre elas a fashioníssima Dzarm). Mas as foteeenhas... Oh, my God!

    Olha só:

     Ana Dumont, I presume

    E a presença de ilustres fashionistas

    Para apreciar melhor o babado fashion beesha, com todo seu glamour, charme e veneno, clique aqui. Mas depois não diga que eu não avisei.

     

    Veja mais pataquadas fashion no post de hoje do blog do Vitor Angelo, Dus Infernus.



    Escrito por Marioh às 12h42
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    Essa pequena é uma Parada

    Em semana de Parada Gay não pude deixar de lembrar da Millie Tant, a personagem acima, da revista britânica de humor Viz.

    Porém, antes que alguém me acuse de homofobia, aviso que já me inscrevi para o seminário de formação ("deformação"?) Lesbianidades e Feminismos. Olha só a programação:

    Manhã
    Dinâmica do abraço
    Exposições e debates
    Convidadas: Regina Facchini (Unicamp), Lúcia Xavier (Criola/RJ), Lurdinha Rodrigues (LBL)

    Tarde
    Convidadas: Simone Diniz (Rede Feminista), Alcilene Cavalcanti (CDD), Ariane Meireles (LBL)

    18h – Show com o Grupo Quintal de Iaiá (voz, violão e percussão)*

     

    Vamo aê?

     

    * Fonte Dykerama.com 



    Escrito por Marioh às 19h02
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    Cala-te boca!

    Esta semana corro o sério risco de ficar sem assunto nas rodinhas hype da cidade. Nenhum dos acontecimentos que sacodem os próximos dias (e deixam o povo que se considera bacana agitado) me interessam. Como já disse em outras ocasiões, semanas de moda me entediam profundamente. Semanas de moda que não dizem a que vieram, não têm o que mostrar ou estão com prazo de validade vencido, entenda-se. Também não vejo roda nenhuma na baiana da Semana da Parada. Então, todo esse papo de tendência da temporada e festas GLBTHXPTO não rende bilheteria por aqui. Deixemos tudo a cargo dos recém-chegados.

    Em compesação, não tem como fugir da diversão quando vemos algum mico ou chanchada escancarada nos eventos acima citados. Assim, se eu pescar alguma coisa digna de nota - ou, no mínimo, de uma gargalhada - ou que me deixe speechless (não, ainda não me recuperei da coleção da oNONONONONONONONONONO) apareço por aqui e posto quelque chose.

    No mais, estarei na contramão do estilo (tentei acompanhar a cobertura GNT Fashion do Fashion Rio e foi ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ) e da festa da diversidade (diversões divertidas?). Ou seja, longe do insensato mundo.   



    Escrito por Marioh às 13h48
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    De uma chupada até aquela canção do Roberto (e um susto na Casa das Criaturas)

    Pois é, o picolé acima foi ideia de algum gaiato na Europa para quem quiser dar uma chupada... no Daniel Craig. HAHAHAHAHAHAHAHA! O confeito tem a forma do torso do ator inglês e atual James Bond. Quem se habilita?

    Mas o que marcou mesmo minha semana (claro que não preciso falar do acidente com o airbus da Air France) foi o show Elas Cantam Roberto, exibido no último domingo pela Rede Globo. Na verdade, desdenhei um pouco o evento quando, na semana passada, amigas estavam eufóricas escolhendo o modelito (adorei saber que este termo é considerado cafona por quem fala "absurdinho" e "coreô" HAHAHAHAHAHA) para a noite de grande gala em homenagem ao 50 anos da carreira do Rei, no Teatro Municipal paulistano (mind you que eu tava nascendo e ele já tava na estrada!).  Depois li um post no blog da Joyce Pascowitch repercutindo o espetáculo. Confesso que senti ter perdido o lance ao vivo e em cores, porque afinal Rei é Rei, né?

    Daí, não pude perder Elas Cantam na tevê. ADOREI! Até a Ana Carolina, que não é da minha turma, eu achei bacana, bonita e elegante. Claro que houve deslizes - e se não tivesse eu não teria gostado tanto, afinal. Por exemplo, faço eco com o Tony Goes dizendo que faltaram Bethânia, Gal e Marisa Monte. Mas o trio deve ter tido lá suas razões. Fiquei indignado com o modelito da Daniela Mercury (sim, era um "modelito" HAHAHAHAHA), que como diz um amigo "é cafona de alma". E tive vontade de dar uns tapas na Marília Pêra cuja interpretação de 150, 200, 300 Km por Hora beirou o histeria e o achincalhe. Era o caso de dizer: "Menos, gata, menos". 

    Por outro lado, adorei Rosemary vestida de Jessica Rabbit. E Wanderlea de mini e botinha (ela pode, senão não seria a Ternurinha). E Nana Caymmi. E Fernanda Abreu. E as Possi, Zizi & Luiza, com braceletes de dar taquicardia em muita dondoca amante de quilates. Mas paguei pau mesmo pra Hebe Camargo. Justo na emissora rival de seu eterno sofá, a loiruda simplesmente quebrou tudo. Isso é o que eu chamo de "arrombar a festa".

    Pena não termos visto a performance de Mart'nália e não, eu não gosto de Sandy - lovely e linda, mas tão sem sal.

    Ah, teve Alcione, a Marrom. Seu "Meu bem, MEU BEEEEM!" era pra soar jazzy mas saiu quazzy. Em todo caso, ela tem peso. E como.  

    Palmas pra elas que elas merecem.

    Agora, pra mim, "aquela" canção do Roberto é esta:  

     

     

    Já num outro registro, o fashion, acompanhei a cobertura on line da Casa de Criadores, o evento que abre mais uma temporada brasileira de moda. Não comento nenhum show porque não estou on dutty. Porém, quedei speechless diante disso:

      

    Se era para magoar a gente, PA-RA-BÉNS! "Levem-nos ao seu lider!": era essa a mensagem?  



    Escrito por Marioh às 18h21
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    A culpa é do balanço

    Porque um dia eu quis ser Michael Jakcson.

     

     

    I STILL just can't control my feet.



    Escrito por Marioh às 17h22
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